Oposição critica medidas de Marta em São Paulo

A opção da prefeita Marta Suplicy (PT) de promover aumento de tributos e tarifas para elevar a receita do Município sem ter definido um ajuste fiscal em quatro meses e meio de governo, recebeu duras críticas de partidos da oposição. O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Walter Feldman (PSDB), afirmou que a gestão petista tomou o "caminho equivocado da elevação da receita", em vez de reduzir as despesas, como fez o falecido governador Mário Covas (PSDB) em seu primeiro mandato.Desde que assumiu a Prefeitura, em 1º de janeiro, apesar do discurso de campanha de que a corrupção era a principal responsável pela situação financeira do Município, Marta aumentou a tarifa de ônibus de R$ 1,15 para R$ 1,40, elevou o preço da Zona Azul em 50% e definiu critérios mais rigorosos para a aplicação de multas de trânsito. Com essas e outras medidas, ela pretende elevar a arrecadação em R$ 1 bilhão ainda este ano."Este caminho tem uma visão conceitual equivocada e penaliza a população", disse o presidente da Assembléia. "Ela precisa mostrar fatos. Com uma boa arrecadação, poderá fazer coisas mais evidentes, é verdade, pensando mais no caráter político. Mas, ao mesmo tempo, deixa de fazer a lição de casa e o resultado não será de uma máquina que vai se ajustar."Feldman comparou a situação atual da Prefeitura à do governo do Estado logo depois da eleição de Covas, em 1994. "O Estado estava muito pior e Covas nunca falou em aumentar impostos. Arcamos com o risco de não poder fazer coisas de destaque do ponto de vista político.", afirmou o deputado. "E esse ajuste só a prefeita pode fazer. Não pode ser feito pelo Sayad,(João Sayad secretário municipal das Finanças) ou pelo secretário de Governo (Rui Falcão)".Para o presidente da Assembléia, a idéia de cobrar R$ 37,00 de motoristas interessados em ser liberados do rodízio municipal de veículos é "impressionante". "Do ponto de vista conceitual é um absurdo, pois o rodízio tem objetivo pedagógico e não de punir com multas e arrecadar", disse. Marta já voltou atrás e descartou a adoção da taxa, por causa da repercussão negativa. "Só a idéia é um absurdo."Para o presidente estadual do PFL, Cláudio Lembo, a administração petista tem adotado medidas "anti-socialistas e de modelo monetarista". "Este aumento da tarifa de ônibus não teve nenhuma visão social, pegou o pobre, o mais amargurado na escala social."Segundo Lembo, cada aumento da tarifa de ônibus nas gestões passadas era uma "angústia" e o resultado, sempre uma elevação pequena. "Esse aumento anunciado agora é colossal."O vereador Salim Curiati (PPB), na bancada de oposição, qualificou como "lamentável" o aumento de receita com a elevação de impostos e tarifas, "Quando a Marta estava em campanha ela dizia que a cidade estava desse jeito por causa da roubalheira. Ou ela estava enganada, e tem de assumir isso, ou está roubando." Para o parlamentar, não há como a Câmara combater o aumento de impostos e tarifas que a prefeita quer impor. "Se tivéssemos um Legislativo forte e independente poderíamos fiscalizar a aplicação e destino desses recursos. Infelizmente, a oposição é pequena", lamentou.O líder do governo na Câmara Municipal, José Mentor (PT), rebateu as críticas de Feldman à gestão Marta. "Ele está equivocado e não conhece a situação de São Paulo", disse. Segundo Mentor, ao contrário do que afirmou Feldman, a situação da cidade é pior que a do Estado no primeiro mandato tucano, em 1994, com Mário Covas. "O Estado tinha patrimônio para vender, o que a cidade não tem. E o governo demitiu milhares de funcionários", afirmou. "Quem pagou o preço foi o funcionalismo, foram os professores."De acordo com o líder do governo, a Prefeitura não voltou atrás na idéia de cobrar uma taxa dos motoristas que quisessem ser liberados do rodízio municipal de veículos. "Foi uma idéia. Idéia não tem nada a ver com decisão. Não tem nada de voltar atrás".As críticas do presidente estadual do PFL, Cláudio Lembo de que o PT tem tomado medidas anti-socialistas, irritaram Mentor. "O Lembo não tem autoridade para falar em medidas socialistas. A situação atual é reflexo de medidas tomadas por governos que o Cláudio Lembo apoiou", rebateu.

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