André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Oposição critica Maia por agir como 'líder de governo' e não presidente da Câmara

Deputados se reuniram em café da manhã nesta terça para tratar da reforma política a ser discutida na Casa; oposicionistas disseram ainda que têm 'atropelados' em algumas votações em benefício do Planalto

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2016 | 12h37

BRASÍLIA - Em café da manhã com os líderes da oposição nesta terça-feira, 25, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ouviu críticas do grupo de deputados presentes. Os oposicionistas reclamaram que Maia age como líder do governo e não como presidente da Casa em algumas situações e disseram que, para beneficiar o governo, a oposição é "atropelada" nas votações.

O encontro foi marcado por Maia para definir os procedimentos que serão adotados na Comissão Especial da Reforma Política, que será instalada na tarde desta terça. Maia não só ouviu as opiniões do PCdoB, PT, PDT, Rede e PSOL sobre o tema, como as reivindicações do grupo formado após o impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Citando como exemplo a inclusão inesperada de uma medida provisória na pauta de votações da sessão da segunda-feira, 24, os líderes partidários enfatizaram que Maia não pode fazer as vezes de líder do governo. "Ele está errado", apontou o líder do PT, Afonso Florence (BA). Maia rebateu a acusação, mas se comprometeu em melhorar. Os oposicionistas ressaltaram que não aceitarão uma reforma política "a toque de caixa".

Os líderes também cobraram o retorno das reuniões formais de colégio de líderes, reclamação comum também entre alguns governistas. Maia disse considerar as reuniões separadas de governistas e oposicionistas mais produtivas, mas informou que retomará os encontros.

O presidente da Câmara marcou uma nova reunião com a oposição para o dia 8 de novembro para discutir sugestões de pauta e assuntos em comum. "Acho muito importante conversar. Foi um gesto de diálogo", elogiou o líder da Rede, Alessandro Molon (RJ).

Reforma da Previdência. Embora aliados de Maia falem abertamente em buscar soluções para que ele possa se reeleger ao cargo, em fevereiro de 2017, a sucessão na Câmara não foi discutida no encontro desta terça. Na conversa, Maia mostrou foco na votação da reforma política e admitiu que não conseguirá aprovar a Reforma da Previdência este ano porque não haverá tempo hábil. A medida teria de passar antes por uma comissão especial antes de ser apreciada pelos deputados no plenário. "Não vai ao plenário este ano", resumiu o líder do PSOL, Ivan Valente (SP).

Para o líder do PT, Maia admitiu a impossibilidade de votar a Reforma da Previdência nos próximos meses por constatar que a oposição usaria recursos de obstrução eficazes para inviabilizar sua aprovação este ano. "Ele só está constatando a dificuldade", comentou Florence.

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