Oposição cria fórum permanente "a favor do País"

O PSDB, PFL e PDT fazem hoje, uma reunião para decidir uma posição conjunta, "não contra o governo, mas a favor do País, independentemente das diferenças partidárias", segundo afirma um documento divulgado no site do PFL na internet. "Com esse propósito constituimo-nos, a partir de hoje, num fórum permanente de consulta e concertação em prol de medidas efetivas de combate à corrupção e recuperação do emprego", afirma ainda o documento. Além de parlamentares do PSDB, PFL e PDT, estão na sala de reuniões também os deputados Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Ricardo Barros (PP-PR), o primeiro deles ex-líder do PMDB no governo Fernando Henrique Cardoso e dissidente da orientação peemedebista de apoio ao governo Lula, e o segundo, ex-vice-líder do governo, também na administração FHC. "As portas estão abertas aos que fazem oposição ao governo do presidente Lula", disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), dirigindo-se a Geddel. Bornhausen afirmou que o objetivo é chamar a atenção da sociedade para dois problemas: a falta de ética do governo e a escassez de empregos. O documento "União pela Ética e pelo Emprego", divulgado momentos antes do início do encontro, afirma, no entanto, que a oposição não vê razão para discursos alarmistas. "O Brasil não está em perigo, não há ameaça de golpe nem conspirações", afirma o documento. "As liberdades conquistadas pelo povo estão aseguradas, mas há uma desilusão crescente com o governo Lula". Ainda segundo o documento, tampouco há choques exernos que agravem a situação do País. "Ao contrário, há muito, as condições internacionais não nos eram tão favoráveis", sustenta. "Nossas exportações crescem, há espaço para novos avanços nas negociações multilaterais. Se, com tudo isso, a economia retrocede, é porque um governo apático, confuso, sem liderança, imaginação nem projetos, deixa escapar as oportunidades de retomada do crescimento". O documento contém, também, críticas indiretas ao PMDB e a outros partidos da base do governo, ao afirmar que, "sem objetivos claros para negociar em nome do Brasil no plano externo, o governo dilapida sua legitimidade no plano interno, entregando-se às práticas mais vulgares e desprestigiadas de arregimentação de apoios no Congresso Nacional. O toma-lá-dá-cá torna-o refém de grupos predatórios, capazes de jogar com a própria estabilidade da economia para melhor barganhar seus interesses mesquinhos, com um atrevimento que aumenta quando se sentem indispensáveis para abafar investigações que o governo parece disposto a impedir a qualquer preço".Em outro trecho, o documento afirma que há uma crise de governo e que está em tempo para se evitar que ela se transforme em crise de confiança na democracia. "Não queremos nem saberíamos fazer o jogo do quanto-pior-melhor. Interessa-nos, acima de tudo, evitar que a decepção se transforme em desespero, canalizando-a para a ação política regular, legítima e aberta". O presidente do PSDB, José Serra, disse que o Fórum Permanente tem como objetivo ajudar o País e que não é uma união contra o governo. "Nós queremos que o governo governe, que apresente sua visão estratégica e passe a administrar", disse. "Exigimos que haja proposta que permita o desenvolvimento do País". Segundo ele, o fórum está sendo criado no momento apropriado, "porque o governo está há 15 meses rodopiando e vemos hoje o maior índice de desemprego em São Paulo, desde 1985". "Queremos de fato que o Brasil começe a funcionar". O encontro das oposições foi aberto pelo líder do PDT, senador Jefersson Peres (AM).

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