JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Oposição convoca panelaço contra teto de gastos

Movimentos que cancelaram atos nas ruas dia 18 defendem mais gastos na saúde pública com o avanço do coronavírus

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 18h25

As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem centenas de movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos de oposição ao presidente Jair Bolsonaro, convocaram para as 20h de amanhã, 18, um panelaço em defesa da saúde pública e contra emenda constitucional aprovada em 2018 que instituiu o teto de gastos do governo.

O panelaço substitui a manifestação convocada pelas frentes, centrais sindicais, estudantes e trabalhadores do setor de educação marcada para a mesma data, mas que foi cancelada em função do risco de contaminação pelo coronavírus.

Nesta terça-feira, 17, começou a circular nas redes sociais uma outra convocação para um “barulhaço” às 20h30 de quarta-feira, 18, com a hashtag (palavra-chave) #ForaBolsonaro, que chegou a ser um dos tópicos mais comentados do Twitter no Brasil. Representantes das frentes e sindicalistas dizem que não têm participação na convocação, que ocorre de forma espontânea.

“A irresponsabilidade de Bolsonaro com o Coronavírus é alarmante. As medidas vão depender da iniciativa da sociedade. No mundo todo estão liberando investimentos na saúde pública e medidas de proteção ao povo mais pobre. Não vamos fazer como ele e manter manifestações. Mas cada um vai gritar, bater panela e se manifestar na sua janela, na sua casa”, disse Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Nos últimos dias tanto as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo quanto partidos de oposição, movimentos e centrais sindicais começaram discutir a possibilidade de pedir o afastamento do presidente por dois motivos. O primeiro é a postura considerada irresponsável de Bolsonaro de insuflar e participar de manifestações públicas no momento em que autoridades do mundo inteiro recomendam que a população evite aglomerações para reduzir o risco de contágio

O segundo, na visão dos movimentos, é o fato de que as manifestações avalizadas pelo presidente representam uma escalada no discurso autoritário de seus apoiadores que no domingo pediram abertamente o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal e até uma intervenção militar

Por enquanto nenhum partido ou movimento relevante aprovou oficialmente o Fora Bolsonaro. Na segunda, 16, a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) pediu o afastamento do presidente. O advogado Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, defendeu que uma junta médica avalie a sanidade mental de Bolsonaro. Ambos foram autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

Embora não tenham aprovado formalmente o Fora Bolsonaro, líderes de movimentos sociais avaliam que a palavra de ordem deve crescer entre os manifestantes contrários ao governo nos próximos dias. 

Em outra frente, as centrais sindicais apoiam a greve dos trabalhadores da educação marcada para esta quarta-feira. A paralisação, no entanto, será apenas simbólica já que a maioria das escolas e universidades está parada em função da doença. 

“As Centrais Sindicais entendem que enfrentar o coronavírus é a principal tarefa de toda a sociedade brasileira e de todas as instituições comprometidas com o país e, diante do desleixo do governo, vêm a público exigir medidas efetivas de proteção à vida, à saúde, ao emprego e à renda dos trabalhadores e trabalhadoras. As Centrais Sindicais conclamam o Congresso Nacional, governadores, prefeitos e o empresariado nacional a constituir um canal de diálogo que institua essas e outras medidas que se fizerem necessárias”, diz nota das entidades sindicais.

Nesta terça, os presidentes das centrais entregariam o documento ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos principais alvos dos manifestantes que foram às ruas no domingo. 

“Neste momento em que o presidente se mostra um fanfarrão, cumpre ao movimento sindical discutir medidas com o Congresso e o Judiciário”, disse o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.

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