Oposição contorna divergências e aceita CPMI do cartão

Líderes do PSDB e DEM não haviam entrado em consenso sobre acordo entre Jucá e Carlos Sampaio nesta 2ª

Agência Brasil

11 de fevereiro de 2008 | 19h42

Lideranças do PSDB e do DEM contornaram as divergências nas respectivas bancadas de senadores insatisfeitos com o acordo feito pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para investigar o uso de cartões corporativos por servidores e autoridades públicas.   Mais cedo, o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), disse que o acordo "foi uma iniciativa própria" de Carlos Sampaio e não uma posição do PSDB. Ele se encontrou em uma reunião com o líder dos tucanos no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), para definir que rumo tomar sobre as denúncias de abusos na utilização dos cartões, e mais especificamente sobre o modelo de CPMI que pretendem.   Veja também:   Cronologia da crise dos cartões corporativos   Entenda o que são os cartões corporativos do governo   Após denúncia, governo publica mudanças para cartões   Pelo acordo, a comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) investigará os gastos com os cartões corporativos desde 2001, mas poderá retroagir a 1998, data de sua criação, caso apareça alguma denúncia que justifique. Entre 1998 e fins de 2001, quando o cartão corporativo passou a ser efetivamente utilizado, os gastos dos servidores e autoridades públicas eram efetuados por meio das chamadas contas B.   O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que o deputado Carlos Sampaio o informou sobre "as tratavivas" que estavam em andamento com o líder do governo. Acrescentou ter recomendado ao deputado que mantivesse os líderes da oposição inteirados da condução desse processo.   No início da tarde, o presidente peessedebista recebeu um telefonema do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que teria lhe autorizado a comunicar aos deputados e senadores "que sua vida (de Fernando Henrique) pode ser investigada agora, no futuro, quando quer que seja". Segundo Sérgio Guerra, o ex-presidente também lhe disse que enviou todos os documentos sobre seus gastos quando ocupava a Presidência da República a um jornal de circulação nacional.   Segundo o presidente do PSDB, ao querer estender as investigações a 1998, o governo federal adota a estratégia de criar um clima de que "se a crise é geral, todo mundo vai sobreviver". A seu ver, trata-se de uma estratégia que "carece de razões, (as que existem) são precárias e cheias de equívocos". Já o líder do DEM, José Agripino (RN), considerou que, pelo acordo, "o governo recua porque concorda em que o fato fique restrito a investigações de cartões corporativos, sem qualquer menção explícita a conta B, até mesmo não há qualquer denúncia contra conta B". Ele destaca, entretanto, que se houver qualquer fato anterior a 2001 que justifique a investigação "os fatos em si serão suficientes para haver investigação".   Agripino disse que não se pode inverter o caráter da CPMI, iniciando as investigações pelas contas B, uma vez que elas não seriam o objeto de criação da comissão de inquérito. Em sua avaliação, o início deve ser "o dolo (fraude)que provocou demissão de ministro e está indignando a sociedade". No mesmo tom do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o líder do DEM afirmou que, em nenhum momento, a oposição tem a intenção de "fulanizar" as investigações sobre os usos indevidos dos cartões corporativos.     "Na hora em que se fosse fazer uma CPI com endereço certo para degolar fulano ou beltrano, se perderia a isenção e o respeito da opinião pública. Não passa pela nossa cabeça fulanizar, porque fulanizar significa sectarizar a investigação", ressaltou.

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