Oposição cobra governo e promete ir às ruas

A uma semana do anúncio do racionamento de energia elétrica no País, deputados e senadores prometem cobrar do governo explicações e fazer pressão nas ruas para evitar a privatização de Furnas, da Chesf e da Eletronorte. O presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia, o ministro licenciado da Casa Civil Pedro Parente e o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, deverão prestar esclarecimentos na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Indignado com a forma como o assunto tem sido tratado, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), lembrou da sua infância, quando a energia foi racionada. "Quando era menino eu peguei o racionamento. Era uma coisa desgraçada, porque colocava vela aqui ou ali, mas não resolvia o problema. Ninguém se acostuma com a falta de energia", disse Simon.O senador peemedebista afirmou estar convencido de que o governo tentará fazer com que a população se "acostume com o racionamento" para anunciar depois a necessidade de estendê-lo até 2002. "Imagina se isso é possível", acrescentou ele. "Quero saber do senhor Pedro Parente e do senhor Abdo quanto falta produzir exatamente, qual o teor disso e até quando ficaremos nessa situação."Privatizações - O líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), criticou o modelo de privatização do governo, que teria eliminado as chances de investimentos no setor, provocando a necessidade de racionar energia. "Atingimos o limite do insustentável", afirmou ele. "O governo faz reunião para abafar a CPI da Corrupção, mas não se preocupa em reunir-se para fazer um plano para evitar o racionamento", acrescentou.O assunto será tema principal da reunião do Fórum Nacional de Lutas, que engloba PT, sindicatos, entidades e associações, marcada para quarta-feira, em São Paulo, onde vão decidir sobre as próximas manifestações de rua. "Só com a mobilização da população nas ruas vamos conseguir alguma ação do governo", disse o petista.A idéia é centralizar as atenções para ressuscitar a CPI da Corrupção, desta vez só no Senado, depois que o governo conseguiu eliminar a possibilidade de ela ser mista, e evitar o abrandamento da punição aos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido- DF), acusados de mandar violar o painel do Senado - na quarta-feira, o relator do caso, Saturnino Braga (PSB-RJ), apresenta seu parecer. "No Conselho de Ética deve ser aprovada a punição porque do contrário será fácil comprovar que houve mesmo acordão (espécie de troca de favores entre governistas e Carlistas, na qual um seria protegido da CPI e, o outro da cassação) porque são apenas 16 integrantes", disse. "Espero que agora a mão do (presidente do Senado) Jader Barbalho (PMDB-PA) não lave a do ACM", acrescentou Simon.

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