Oposição cobra Dilma sobre denúncias do caso Varig

Senador Demóstenes Torres diz que ministra-chefe deixou o 'prejuízo' para União e o contribuinte

Fabio Graner e Leonencio Nossa, da Agência Estado,

07 de junho de 2008 | 14h26

Senadores da oposição ao governo cobram da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, esclarecimento sobre pressões que livraram o comprador da VarigLog do pagamento de uma dívida tributária calculada, há dois anos, em R$ 2 bilhões. O senador Demóstenes Torres (PSDB-GO) afirma que Dilma e a secretaria-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, que comandou reuniões do processo de venda da companhia, deixaram o "prejuízo" para a União e o contribuinte. Ao comentar reportagem publicada pelo Estado na sexta-feira, 6, sobre essas pressões, Torres disse que está "claro" o "jogo de influência" no governo. "Quando se vende uma coisa se vende tudo, a parte boa e a parte ruim", afirmou. "Sem a exigência da responsabilidade pela dívida, o prejuízo ficou para a União, isto é, para todos nós."  Veja também:ESPECIAL: Veja as turbulências da Varig e entenda as denúncias  Pressões livraram Varig de dívidas Garibaldi diz não ver razão para criar CPI sobre venda da VarigComissão aprova convocação de Denise, Zuannazzi e TeixeiraEx-diretores confirmam pressão sobre a Anac Agência considera ilegal controle de estrangeiros Juiz pede que procuradoria investigue Dilma no caso Varig Demóstenes Torres avalia que, a partir do depoimento de Denise Abreu no Senado, a oposição terá condições de abrir caminho para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. "Se a Denise Abreu confirmar as denúncias estará aberto o caminho para a CPI da Dilma ou da Varig", disse. "Essa CPI deve investigar toda a rede de influências, inclusive o cumpadre", completou, referindo-se ao advogado Roberto Teixeira, que atua no setor aéreo, e tem relação pessoal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Senadores oposicionistas sugerem que Dilma Rousseff se antecipe e dê explicações ao Congresso sobre a venda da VarigLog ao fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), lembra que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, criou um novo padrão, que deveria ser seguido, ao se antecipar a um convite e se explicar sobre denúncias feitas de envio de armas para Venezuela. Para Virgílio, há uma superproteção da base aliada no Congresso em torno da ministra-chefe da Casa Civil. "E o mais grave é que ela demonstra precisar disso, pois as denúncias estão ficando irrespondíveis", afirma o líder tucano. Ele não considera que a pressão política sobre Dilma decorreria da possibilidade de eventual candidatura dela à Presidência. "Isso está ocorrendo porque ele não está procedendo. Porque agiu errado", diz. Na avaliação do senador, uma eventual instalação de CPI para investigar o caso dependerá do noticiário dos próximos dias e, principalmente, da postura do governo no Congresso em torno das audiências das pessoas envolvidas no episódio. Segundo ele, se pessoas chaves não comparecerem para depor na Comissão de Infra-estrutura por pressão do governo, a criação de CPI será necessária.  O senador Heráclito Fortes (Dem-PI) sugere que Dilma Rousseff explique as denúncias antes mesmo do depoimento que Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. O depoimento de Denise ainda não está marcado. "Se ela (Dilma) for sabida, vai antes", disse o senador. "Ela precisa urgentemente esclarecer essa história da Varig." A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), disse por meio de sua assessoria de imprensa "estar cansada dessa criação de factóides", em uma referência à postura da oposição em torno do assunto. Ela afirma que a oposição nesses momentos sempre tenta desgastar o governo e atingir a ministra Dilma, que tem se destacado politicamente e é citada como possível candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2010.

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