Oposição classifica PIB de 'desastroso' e diz que País está 'encalhado'

Líderes do DEM e do PSDB reagem com críticas ao aumento de 0,6% do Produto Interno Bruto do terceiro trimestre; para aliados, resultado é bom diante do cenário internacional

Ricardo Brito, da Agência Estado

30 de novembro de 2012 | 14h15

Brasília - A oposição reagiu duramente ao aumento de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre ante o segundo trimestre de 2012, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, que é em média a metade das previsões de analistas, levou os líderes do DEM e do PSDB no Senado a classificar o indicador como "desastroso" e afirmar que o País, mesmo com medidas de estímulo à economia, está "encalhado".

 

"Esses dados são desastrosos para o Brasil no plano internacional. É a confirmação do que estamos lamentavelmente assistindo, que os remédios adotados pelo governo como forma de estimular a economia são claramente ineficazes", afirmou o líder e presidente do Democratas, senador Agripino Maia (RN). "O País está encalhado porque o governo não faz a sua parte. Em tese, apesar do esforço dos setores produtivos, o governo não realiza as reformas e, assim, inibe o crescimento econômico do País", afirmou o tucano Alvaro Dias (PR).

 

Os dois oposicionistas afirmam que as medidas tomadas nos últimos meses pela equipe econômica do governo, como a desoneração da folha de pagamento, a redução da taxa de juros e o aumento na oferta de crédito ao consumidor, não têm surtido efeito para estimular a economia brasileira. "Não quero falar em falência, mas há um equívoco que o governo está praticando com esses remédios", disse Agripino Maia.

 

O senador Armando Monteiro (PTB-PE), ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), reconheceu que o resultado do indicador é "realmente frustrante". Para Monteiro, que é da base aliada da presidente Dilma Rousseff no Senado, o "mais sério" é que os números apontaram uma "queda dos investimentos" da indústria. O PIB do setor registrou uma queda de 1,1% no acumulado do ano até setembro, ante idêntico período do ano passado. Entretanto, o índice industrial subiu 1,1% no terceiro trimestre de 2012 ante o segundo trimestre deste ano.

 

Armando Monteiro elogiou as medidas econômicas tomadas nos últimos meses pelo governo, mas considera que os efeitos só vão ocorrer futuramente. "Todas essas medidas são muito importantes, louve-se até a disposição da presidente Dilma Rousseff de implementá-las. Mas elas começaram a produzir efeitos, e ainda pequenos, só agora", observou. O petebista faz coro aos integrantes da oposição de que é preciso reformas estruturantes para reduzir os custos de investimento no País. "No Brasil, apesar do esforço da presidente Dilma, temos custos tributários e logísticos altos", afirmou.

 

O senador Humberto Costa (PE), ex-líder do PT na Casa, saiu em defesa do resultado da economia apontado pelo IBGE. Segundo Costa, as medidas tomadas pelo governo foram corretas, mas só terão repercussão positiva no PIB do último trimestre do ano e em 2013. "Se for levar em consideração o Brasil e o resultado de outros países com recessão e desemprego, estamos bem", afirmou o petista, ao ressaltar que as decisões do Executivo também têm tido repercussão social, com o aumento de pessoas ingressando no mercado de consumo.

 

Base e oposição concordam que a discussão sobre o crescimento da economia fará parte da audiência pública marcada para a próxima terça-feira, 4 de dezembro, em que se vai discutir, entre outros temas, propostas de unificação da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Os senadores são uníssonos em reconhecer que a reforma desse imposto pode impulsionar a economia brasileira, mas não acreditam em mudanças das regras do ICMS no curto prazo.

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