Oposição classifica como eleitoreira ampliação do Bolsa-Família

Ampliação do programa, divulgada na quarta-feira pelo governo, deve incluir mais 1,8 milhão de famílias

Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2009 | 19h17

A oposição classificou como eleitoreira a decisão do governo de aumentar o limite de renda das famílias que podem ser beneficiadas pelo programa Bolsa-Família. Porém, deputados e senadores oposicionistas dizem ser positivo, no momento de crise, ampliar o poder aquisitivo das famílias de baixa renda. "Essa é uma política para combater a crise, mas tem claro viés político-eleitoral", afirmou o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP). "Se distribui renda para a população carente é bom. O problema é que o governo não cria uma porta de saída", acrescentou o deputado. O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), afirma que o programa é "meritório", mas questiona de onde sairá o dinheiro para arcar com a nova despesa. "Num dia, o governo corta R$ 37 bilhões de setores que gerariam emprego; no outro, anuncia investimentos na área social. O governo corta o orçamento, abre mão de receitas e precisa explicar de onde vai sair o dinheiro para essa nova despesa", disse o senador.  A ampliação do programa, divulgada na quarta-feira pelo governo, deve incluir mais 1,8 milhão de famílias. A alteração permite que famílias com renda per capita máxima de R$ 137 mensais recebam a bolsa. O valor que vigorava até então era de R$ 120. Atualmente, o programa atende 11,1 milhões de famílias. A previsão é de que, com o reajuste do teto de renda, esse número chegue a 12,9 milhões.  Para justificar o aumento, o governo se baseou em dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para minorar o efeito da crise financeira mundial sobre os mais pobres, o governo entendeu necessário aumentar o volume de ajuda do Bolsa-Família. "Em época de crise, governo responsável faz duas coisas: protege os mais pobres e mantém investimentos", defendeu a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). "Se o governo cortou despesas de um lado e aumentou os gastos do Bolsa-Família é porque realocou recursos. E fez isso de forma correta", concluiu. O Bolsa-Família paga para as famílias consideradas extremamente pobres um benefício fixo de R$ 62. Além disso, o governo paga outros R$ 20 por criança entre 0 e 15 anos, em um limite de três por família, e mais R$ 30 por jovem de 16 e 17 anos, em um máximo de dois. Os valores dos benefícios foram reajustados em junho do ano passado e não serão aumentados agora.

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