Oposição barra projetos de verba extra no ES

Em uma sessão inesperada convocada às pressas ontem, o presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, José Carlos Gratz (PFL), colocou em votação 16 projetos de suplementação orçamentária do governo estadual, no valor total de R$ 34 milhões. Mas a oposição conseguiu barrar a votação e denunciou o que ela chama de manobra do governador José Ignácio Ferreira, sem partido e ameaçado de impeachment, para comprar os votos dos deputados.Entre os pedidos de aumento de verba, um prevê a construção de campos de futebol e iluminação de quadras esportivas no município capixaba de Guaçuí, reduto eleitoral da deputada Fatima Couzi (PSDB), uma das principais aliadas do governador na Assembléia e que sempre defende o governador em seus discursos.Outros dois projetos pedem mais dinheiro para as polícias civil e militar e estariam ligados aos deputados Marcos Gazzani (coronel da PM) e Gilson Lopes (ex-delegado da Polícia Civil). Os deputados, respectivamente do PSDB e do PFL, também fazem parte do grupo contrário ao impedimento. E um quarto libera verbas para o Detran, onde o deputado Gumercindo Vinand (PSDB) mantém cabos eleitorais. Vinand é outro que defende o governador. A oposição conseguiu obstruir a sessão de ontem e promete continuar tentando barrar a votação dos projetos. Formado por 15 deputados, o grupo pró-impeachment tenta dar andamento ao processo de expulsão do governador, mas enfrenta dificuldades.No início da semana, o deputado Gratz disse que "engavetou" o processo e que não pretende colocá-lo em votação porque, na segunda-feira, a oposição deixou o plenário por discordar da exigência do presidente da Casa de que o processo só poderia ser aprovado por 2/3 dos deputados. A oposição queria que o processo pudesse ser aprovado com maioria simples (16 dos 30 deputados).Gratz nega que a convocação da sessão de quinta-feira faça parte de uma negociação com o governador para pôr fim ao impeachment. Mas ele lidera o grupo dos outros 15 deputados que querem evitar que o impedimento do governador seja aprovado. Além de engavetar o processo, ele também diz que vai enviar o relatório da CPI da Propina ao Ministério Público antes de ser votado em plenário.O relatório pede o indiciamento de 24 pessoas que teriam participado do esquema de corrupção no governo do Estado, mas exclui o governador. Os deputados de oposição queriam votar o relatório e pedir que o nome de Ferreira seja incluído. Mas Gratz quer evitar a votação e mandar o relatório como está ao MP. A oposição diz que, se isso for feito, eles vão apresentar um relatório paralelo ao MP, incluindo o governador.

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