Oposição avisa que não aceitará ´terceiro mandato´ de Lula

A oposição comandada pelo PSDB e PFL aproveitou a sessão inaugural do Senado, nesta quinta-feira, para avisar que vai resistir a uma eventual proposta de mudança constitucional que permita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar um terceiro mandato. "Me comprometo a estar sempre alerta contra a tentação do autoritarismo populista. Não queiram mudar a Constituição brasileira", discursou o líder do PFL, José Agripino (RN), sem fazer referência direta à tese do terceiro mandato. Em seu discurso aos senadores, Renan disse que "o Legislativo deve ser forte e independente", defendeu a adoção do Orçamento impositivo (atualmente a lei autoriza o Executivo a fazer gastos) e pregou a reforma política. A primeira sessão foi marcada ainda por um protesto do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), contra o PT, que formalizou um bloco com outros cinco partidos aliados ao governo, exceto PMDB e PDT. O bloco governista terá 24 parlamentares e o PSDB reagirá formando outro, com o PFL, com 30 senadores. "Não me surpreende a formação do bloco, mas que ele tenha sido formado na calada da noite, quando havia um entendimento geral de que isso não ocorreria." O bloco governista foi registrado na secretaria da mesa depois da meia-noite. A líder do PT, Ideli Salvati (SC), disse que os partidos fizeram o bloco "às claras". O PT tentará usar o bloco para melhorar sua posição na mesa, disputando a primeira-vice-presidência, atualmente com o PFL.MinoriaO líder da minoria, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), afirmou que após a eleição da presidência da Câmara a oposição terá que se reposicionar para agir de forma coordenada. Segundo ele, é evidente que os rumos diferentes tomados pelo PSDB e o PFL nessa eleição à presidência da Câmara significam uma divisão entre os dois partidos. Mas disse que não se trata de "nada irreparável". "É necessário que se faça uma oposição articulada. Evidente que somos partidos diferentes, mas temos de trabalhar juntos para mostrar à sociedade a paralisia que o governo Lula levou ao País", disse Aleluia.O parlamentar pefelista acredita que a eleição à presidência da Câmara terá segundo turno e que a disputa vai ser decidida nos "votos ocultos", que ele definiu como os relacionados aos parlamentares que estão chegando ao Congresso e que vão votar no candidato que der a eles mais força, mais espaço e mais autonomia à Casa.Apoiador de Aldo Rebelo, Aleluia acredita que esses votos irão para o atual presidente da Câmara. Ele considera que o PSDB deve votar majoritariamente em Aldo, no segundo turno. Para Aleluia, a candidatura de Arlindo Chinaglia enfraquece o Poder Legislativo.Com Fabio Graner, da AE

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