Oposição aposta em impacto da crise aérea nas urnas

PSDB e DEM prevêem que classe média negará votos ao PT em 2008

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2029 | 00h00

Partidos de oposição acreditam que a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sairá desgastada do episódio do apagão aéreo - e já se preparam para tirar proveito disso nas eleições municipais do ano que vem. Os desacertos da crise teriam efeito, principalmente, sobre o voto da classe média.O primeiro partido a levar essas críticas ao rádio e à televisão será o PPS, em outubro. A legenda planeja usar, no seu horário político gratuito, imagens da confusão nos aeroportos e as manifestações desastradas do governo. Como a do assessor presidencial Marco Aurélio Garcia, fazendo gestos obscenos enquanto assistia, no Jornal Nacional, a reportagem que indicava a possibilidade de o acidente da TAM ter sido provocado por falha mecânica.Trata-se de um novo fator num cenário eleitoral marcado pela indefinição. Ela pode ser percebida pela situação de quatro das maiores das cidades brasileiras: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e São Paulo. Nas três primeiras, os atuais prefeitos não podem se reeleger e procuram sucessores. Na capital paulista, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) pode concorrer a novo mandato, mas precisará medir pela primeira vez seu cacife eleitoral numa votação para cargo executivo.Kassab foi eleito vice-prefeito em 2004, numa chapa encabeçada por José Serra (PSDB), e assumiu a prefeitura quando o tucano ganhou a eleição para o governo estadual.O caos aéreo, acredita-se, deverá ser um ponto forte no debate eleitoral, com prejuízo para o presidente da República e o seu partido, o PT. Na avaliação do prefeito do Rio, César Maia (DEM), em casos como esse os estragos políticos demoram a impregnar o eleitorado, mas acabam acontecendo."No mensalão, em 2005, isso ocorreu em três meses", diz ele. "No entanto, a oposição, por temer a desestabilização política ou por achar que se tratava de um ?pato manco?, arrefeceu em seus ataques. Passados 150 dias, o presidente estava em recuperação."Dessa vez, acredita ele, será diferente: "Agora existem duas diferenças: o processo não surgiu espalhado, mas tem um foco de forte e reiterada contaminação entre os que usam aeroportos; e a oposição aprendeu."

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