Oposição apoiará verba para salários atrasados

Os partidos de oposição decidiram aprovar os projetos de lei que prevêem a liberação de R$ 6,1 bilhões para o pagamento de salários atrasados do funcionalismo público federal, inclusive militares. Os projetos estão na pauta do Congresso. Enquanto os pedidos de verbas adicionais não forem aprovados, o Executivo não pode depositar a remuneração relativa a novembro para os militares e de outros servidores.A decisão dos partidos de oposição - PT, PDT, PPS, PSB, PCdoB e PL - foi uma resposta à acusação feita ontem pelo ministro da Defesa, Geraldo Quintão. O ministro culpou a oposição pelo atraso no depósito dos salários dos militares, que não aconteceu por falta da aprovação do projeto de lei. O projeto estava pronto para ir à votação na última quinta-feira, mas a urgência exigida pelo governo para o projeto de mudança da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) trancou a pauta na Câmara. A decisão dos partidos oposicionistas se estende a todos os projetos de lei para liberar recursos destinados à cobertura da folha de salários do funcionalismo público. "Queremos mostrar que a bancada oposicionista não quer bloquear créditos destinados ao pagamento de servidores, como vem dizendo o governo", afirmou o líder do PSB, deputado Eduardo Campos (PSB-PE). Com isso, fica mantida a obstrução nos demais trabalhos da Câmara, especialmente da proposta orçamentária.A oposição não vai votar as demais matérias enquanto o governo não começar a discutir a correção da tabela do Imposto de Renda e um reajuste para o salário mínimo acima dos R$ 189 previstos na proposta orçamentária. Irritado com a declaração de Quintão, o líder do PT na Câmara, deputado Walter Pinheiro (BA), lembrou que quem tem ampla maioria no Congresso para aprovar qualquer matéria é o próprio governo. "Enquanto todo o bloco de oposição não consegue mais do que 130 votos, a base aliada do Palácio do Planalto obtém com facilidade e a qualquer hora 380 votos dos 503 deputados", calculou Pinheiro.O líder do bloco PDT-PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PPS-PR), lembrou que a obstrução é um instrumento legítimo das minorias em qualquer Parlamento. "Só que aqui a obstrução está sendo usada com sucesso pela base governista, que tranca a pauta de matérias relevantes por causa de projetos de lei estapafúrdios como a flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho", enfatizou Bueno.

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