Oposição anuncia boicote à sessão de votação da 2ª denúncia

Líderes partidários afirmam que não vão registrar presença no plenário da Câmara nesta quarta

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2017 | 12h37

Atualização às 12h41

BRASÍLIA - Líderes da oposição na Câmara anunciaram nesta terça-feira, 24, que não vão registrar presença na sessão plenária da quarta-feira, 25, quando está marcada a votação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência). O objetivo é tentar impedir que a votação ocorra, deixando Temer "sangrando" por mais tempo.

Para que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), possa começar os procedimentos da votação, é necessário que pelo menos 342 dos 513 deputados registrem presença no plenário. Esse é o mesmo quórum mínimo exigido pelo regimento interno da Casa para que a denúncia da PGR seja aceita. Juntos, partidos da oposição reúnem cerca de 100 deputados, o que, se somada à ala oposicionista do PSB, podem chegar a 120 parlamentares. 

"A responsabilidade de dar quórum é do governo. Mas é claro que, se o governo der quórum, nós vamos para o embate", afirmou em entrevista coletiva o líder da minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE). Ele disse que os "dados" da oposição mostram que Temer pode sofrer uma derrota na votação de quarta. "A vaca pode ir para o brejo amanhã", declarou o petista. 

Ciente desse movimento da oposição, lideranças governistas na Câmara tentam mobilizar os deputados da base para que compareçam à sessão e marquem presença, mesmo os que vão votar contra o presidente. "Vamos monitorar a chegada dos deputados a Brasília para garantir que a sessão ocorra. Precisamos até mesmo que aqueles que vão votar contra registrem presença", disse ao Estadão/Broadcast Político o líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE).

GALERIAS 

A oposição também anunciou nesta terça-feira que o presidente da Câmara liberou parte das galerias do plenário para que manifestantes favoráveis à saída de Temer acompanhem a votação da denúncia. Segundo o líder do PSB, Julio Delgado (MG), a galeria será dividida em três espaços: um para imprensa, um para militantes contra Temer e outra para militância favorável ao presidente. Na votação da primeira denúncia, as galerias estavam fechadas. A assessoria de imprensa da Casa, no entanto, negou. Segundo eles, por enquanto, as galerias serão aberta apenas para jornalistas.

Na segunda-feira, 23, o deputado Rubens Pereira Júnior (PC do B-MA), integrante da oposição, entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que a votação da denúncia contra Temer e os ministros sejam separadas. O ministro Marco Aurélio Mello foi sorteado relator do caso. 

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