André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Oposição agora pretende obstruir todas as votações

Objetivo declarado é constranger Cunha, mas aliados de Dilma veem manobra para inviabilizar pautas do governo

Daniel Carvalho e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2015 | 15h26

Brasília - Agora declaradamente contrários ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e protagonistas da rebelião contra o peemedebista na última quinta-feira, partidos de oposição pretendem articular na próxima semana a obstrução das votações em todas as sessões presididas pelo parlamentar. Assim como na última sessão, a manobra pode ganhar apoio de partidos da base aliada que, no entanto, analisam se a estratégia oposicionista não é também uma tentativa de impedir a votação de pautas do governo.

Os líderes da oposição têm reunião marcada para esta terça-feira. A ideia é articular uma ação que reúna ao menos PSDB, DEM e PPS, que, juntos, têm 85 deputados. Partidos autodeclarados independentes, como Rede Sustentabilidade, PSOL e PSB – 43 deputados – foram os primeiros a defender a tese de não marcar presença em plenário. Os oposicionistas entendem que atitudes isoladas em plenário não surtirão efeito.

As manifestações contra Eduardo Cunha ganharam força no plenário na última quinta-feira, quando, pela primeira vez desde que assumiu a presidência da Câmara, em fevereiro deste ano, ele perdeu o controle sobre os parlamentares.

Deputados de vários partidos ignoraram o peemedebista e criticaram a manobra adotada pouco antes, quando anulou a sessão do Conselho de Ética para leitura do parecer preliminar pelo seguimento do processo de cassação contra ele por quebra de decoro.

Cunha é acusado de mentir à CPI da Petrobrás ao negar a existência de contas no exterior e de usar o cargo em benefício próprio.

As deputadas Luíza Erundina (PSB-SP) e Jandira Feghali (PC do B-RJ) foram as primeiras a apelar para que seus pares deixassem o plenário em protesto. Mas foi após o discurso de Mara Gabrilli (PSDB-SP), que pediu para Cunha “levantar” da cadeira da presidência, que os deputados esvaziaram o plenário.

Vice-líder do PSDB, Daniel Coelho (PE) disse ter conversado com membros da bancada, que concordaram com a obstrução das votações. “A Câmara, do jeito que está, não tem condições de deliberar sobre coisas importantes”, afirmou.

A rebelião de quinta-feira foi bem sucedida porque houve adesão de governistas, mas agora não há certeza de que haverá a mesma mobilização. “Com 20 deputados não se obstrui nada na Casa”, lembrou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE). Não se sabe, por exemplo, se os petistas que engrossaram o coro de “fora Cunha” nesta semana estarão dispostos a não votar matérias de interesse do governo.

“Não sei se a oposição faz isso só por causa de Eduardo Cunha ou se é para obstruir projetos do governo. Vamos ter que analisar a manobra também”, disse a líder do PC do B, Jandira Feghali (RJ).

 

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