Oposição age de maneira irresponsável ao defender R$ 600, diz economista

Para o economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria, parte da oposição está agindo de maneira “irresponsável” ao defender um salário mínimo de R$ 600. Segundo Salto, que é especialista em política fiscal e contas públicas, aumentos mais fortes dos juros seriam necessários nos próximos meses para compensar a elevação do piso salarial para o nível defendido pelo PSDB.

Daniel Bramatti,

16 de fevereiro de 2011 | 17h16

 

A economia brasileira suporta um aumento de R$ 600 para o salário mínimo?

 

Há dois impactos que precisam ser levados em conta na discussão sobre a questão. O primeiro é fiscal. O aumento do mínimo eleva as despesas do governo com Previdência, benefícios da Lei Orgânica da Assistência Social e seguro desemprego. A cada real a mais no piso salarial, o governo gasta R$ 300 milhões a mais por ano. Ou seja, se o valor chegar a R$ 600, em vez dos R$ 545 propostos pelo governo, haverá um gasto adicional de R$ 15 bilhões a R$ 16 bilhões. O segundo impacto é o inflacionário.

 

É possível estimar o impacto inflacionário de um eventual aumento nesse volume?

 

A massa salarial cresceu muito nos últimos anos. Se continuar crescendo, isso gerará uma pressão adicional sobre o consumo. E a consequência todos conhecemos: mais juros na cabeça. Já estamos em uma situação em que a inflação está acima da meta fixada pelo Banco Central. Talvez as três altas de meio ponto porcentual na taxa Selic que temos no cenário precisem ser ainda mais fortes.

 

Em termos políticos, o senhor considera equivocada a opção de parte da oposição por esse valor?

 

Defender um salário mínimo de R$ 600 neste momento é uma atitude irresponsável da oposição. É no mínimo incoerente isso vir do PSDB, o partido que defendeu a bandeira da eficiência, de um estado fiscalmente responsável, que introduziu a questão da responsabilidade fiscal na agenda política e que fez com que fosse consolidada. Nesse momento, a oposição deveria estar apoiando o mínimo de R$ 545, até por coerência histórica.

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