Oposição acusa Quintanilha de proteger presidente do Senado

Líder dos Democratas diz que presidente do Conselho de Ética do Senado é "engavetador mor da República"

Rosa Costa e Ana Paula Scinocca, do Estadão,

07 Outubro 2007 | 18h27

Sob ataque e ameaçado por um quinto processo por quebra de decoro no Conselho de Ética, desta vez por uma suposta tentativa de espionagem contra senadores de oposição, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) reforça sua aliança com o colega de partido Leomar Quintanilha (TO). Sem cargo de líder ou proximidade com o Planalto, o presidente do Conselho de Ética tem sido o principal operador das manobras para atrasar os processos contra Renan. Sua tática começa a aborrecer seus pares. Ninguém agüenta mais suas promessas não cumpridas de indicar relator para as representações contra o presidente do Senado. E, na mesma proporção em que protela decisões, aumentam seus desafetos.   Quintanilha ficou de indicar na quarta-feira passada relator para a mais documentada das denúncias contra Renan - a de que esse teria comprado duas rádios e um jornal com uso de "laranjas". Na data, adiou para o dia seguinte e, na seqüência, para segunda-feira. Com isso, de enrolação em enrolação, conseguiu estender a conclusão das investigações para 2008. "Ele é o engavetador mor da República", diz o líder dos Democratas, José Agripino Maia (RN).   Até o vice-presidente do Conselho de Ética, Adelmir Santana (DEM-DF), tem dúvidas dos compromissos de Quintanilha em indicar relatores para dar prosseguimento às investigações contra Renan. Indignado com a demora do peemedebista, ofereceu-se para a vaga. De quebra, ouviu: "Não precisa. Já convidei outros senadores e estou à espera de resposta." O fato é que nenhum senador do conselho que se apresenta para a função foi convidado para a tarefa.   "Fiz os cálculos levando em conta que o relator não poderia ser do partido autor da denúncia, nem dos partidos que ingressaram com a representação. O cargo também não pode vir a ser ocupado por relatores anteriores e, portanto, além de mim, só sobram os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Augusto Botelho (PT-RR) e Jefferson Peres (PDT-AM). Então falei para o Quintanilha parar logo com isso e chamar um dos três", relatou Adelmir. "Ele não diz nada. Apenas falou que vai esperar até amanhã para anunciar o novo relator", disse o vice-presidente do conselho.   Vetado por Quintanilha, o senador Eduardo Suplicy disse não ter dúvidas que as manobras são para beneficiar Renan, que aposta no arrefecimento da crise. "O Quintanilha vem atrasando o processo das três representações contra o Renan", protestou. Suplicy disse ter se oferecido para relatar um processo, mas sua disposição foi ignorada solenemente. O presidente do conselho protesta contra as críticas de que é alvo, sugerindo a seus pares que escolham outro para substituí-lo. Pela vontade de Renan, Quintanilha ficará onde está. O presidente do Conselho de Ética poderá, com seu ritmo, dar tratos a provável representação do DEM contra Renan por tentar recorrer a arapongas para monitorar os passos dos senadores goianos Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB), ambos adversários do presidente do Senado.

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