Oposição abandona Conselho de Ética

PSDB e DEM querem mudanças e projeto deve ser levado à CCJ

Eugênia Lopes e Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

Uma semana depois do arquivamento de 11 ações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e uma representação contra o líder dos tucanos, senador Arthur Virgílio (AM), senadores do PSDB e do DEM decidiram ontem sair do Conselho de Ética, renunciando às vagas, e propor uma reformulação do colegiado.A oposição propõe alteração na composição do conselho, com a indicação de um integrante de cada partido. Mesmo com a saída da oposição, o conselho poderá continuar a funcionar porque os governistas têm maioria no colegiado: dez das 15 cadeiras. À exceção do presidente Sarney, ninguém defende sua extinção."Não adianta fazer parte de um conselho no qual você tem uma maioria contra uma minoria", disse o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Hoje, ele pretende reunir todos os projetos que tratam da reformulação do conselho, fazer uma única proposta, e começar a discuti-la na semana que vem na CCJ. "A proposta é acabar com a correlação de forças que opõe governo e oposição. O conselho não pode ser caracterizado como um terreno loteado entre os partidos", afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).Nove senadores, entre titulares e suplentes, abriram mão de suas vagas no colegiado. Além dos tucanos Sérgio Guerra, Marisa Serrano (MS) e Arthur Virgílio, renunciaram Heráclito Fortes (PI), Eliseu Resende (MG), Demóstenes Torres, Antonio Carlos Magalhães Júnior (BA), Maria do Carmo Alves (SE) e Rosalba Ciarlini (RN), todos do DEM.Autor de um dos projetos que mexem na composição do conselho que será analisado pela CCJ, o senador Tião Viana (PT-AC) é favorável à "despartidarização" do colegiado. "O ideal é que o conselho tenha um só representante de cada legenda para que esse colegiado possa agir com consciência ética e não por motivação político-partidária", defendeu o petista. A mudança não deve ter apoio dos maiores partidos, que têm direito a indicar mais representantes. Já viu alguém abrir mão de poder? É golpe na maioria tentar compor o conselho só com líderes de cada partido", argumentou o senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA). "Mais uma vez é a minoria com complexo de maioria", ironizou o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos integrantes da tropa de choque de Sarney.

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