Oposição a Yeda trava guerra por postos na CPI

Pela proporção atual, governistas terão 8 representantes na comissão contra 4 oposicionistas

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

As bancadas governista e de oposição travam uma guerra nos bastidores da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul para conquistar cadeiras na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará a participação de agentes públicos em licitações dirigidas, superfaturamento de serviços e desvio de verbas. Os trabalhos tomarão como base a ação civil de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal contra a governadora Yeda Crusius (PSDB). A disputa por cadeiras na CPI leva a procuradoria da Assembleia a examinar pedidos como o do PSDB, que quer a rejeição do requerimento por entender que ele não aponta objeto específico para investigação; do PDT, que quer uma cadeira a mais, e do PSB e PC do B, que pleiteiam participar da CPI. O parecer da procuradoria deve ser emitido amanhã.A mobilização do PDT, PSB e PC do B tenta equilibrar a composição de forças na comissão. Pela proporção atual, a bancada governista terá oito representantes contra quatro da oposição. O PDT vai alegar que a proporção correta é a do início da legislatura, quando Coffy Rodrigues, hoje no PSDB, estava no partido. Se a tese for aceita, o PDT passa a ter duas cadeiras e o PSDB perde uma.Já os minoritários PSB e o PC do B querem uma cadeira em sistema de rodízio com o PPS, que aumentou sua representação na Casa nesta semana, com a volta do secretário do Meio Ambiente, Berfran Rosado, para garantir uma cadeira a mais a seu partido e para os aliados de Yeda. REPRESENTAÇÃOOntem, a Comissão Executiva Nacional do PSDB informou, por meio de nota assinada pelo presidente do partido, senador Sérgio Guerra, que vai encaminhar representação ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra os procuradores que pediram o afastamento da governadora. O texto manifesta "perplexidade e indignação" com o que está ocorrendo no Rio Grande do Sul. A acusação contra Yeda cita também seu marido, Carlos Crusius, sua assessora especial Walna Meneses, o ex-secretário geral de governo, Delson Martini, o tesoureiro da campanha do PSDB em 2006, Rubens Bordini, o presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas, e o deputado José Otávio Germano (PP). Aparecem ainda os deputados estaduais Frederico Antunes (PP) e Luiz Fernando Zachia (PMDB), acusados de ser beneficiários, operadores ou intermediários da fraude de R$ 44 milhões do Detran gaúcho entre 2003 e 2007. Todos negam a participação no esquema e alegam que a acusação está baseada em conversas de terceiros, gravadas pelo empresário Lair Ferst com o ex-representante do governo estadual em Brasília, Marcelo Cavalcante, morto em fevereiro.Com base em trechos do documento de 1.238 páginas, a bancada do PT anunciou que vai pedir ao Ministério Público Estadual a reabertura das investigações sobre a compra da casa de Yeda. Para o líder do partido, Elvino Bohn Gass, há contradições entre os R$ 750 mil do valor oficial do negócio - considerado correto pela procuradoria estadual em análise feita no ano passado - e o R$ 1 milhão comentado por Cavalcante e Ferst.

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