Opinião de Malan prevalece no CNPE

A preocupação do governo para que a populaçãocompreenda as medidas emergenciais contra a crise no abastecimento de energia elétrica e a definição de critérios precisos paraavaliação do impacto do corte de energia sobre a atividade econômica, o nível de emprego e a conseqüente pressão sobre osíndices de inflação deu suporte à decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de adiar para o próximo dia 23 demaio o anúncio das medidas.Esse cenário, desenhado pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, foi decisivo para a formação de consenso entre osintegrantes do CNPE.?A posição do ministro Malan prevaleceu na reunião do Conselho?, disse um dos participantes da reunião à Agência Estado.Malan, segundo essa fonte, recebeu o apoio do Conselho para uma questão que tem preocupado o governo quanto ao corte dofornecimento de energia elétrica: qualquer que seja a decisão, ocorrerão profundas implicações na vida doPaís, do ponto de vista do emprego e da inflação.O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que não era técnico do setor, mas alertava os especialistas da área para anecessidade de as medidas serem discutidas ?com maior profundidade?.Os ministros do Planejamento, Orçamento e Gestão,Martus Tavares, e da Casa Civil, Pedro Parente, também presentes à reunião, concordaram com o ministro da Fazenda.Malan sugeriu o adiamento por um prazo que, segundo ele, não fosse tão longo que comprometesse a execução das medidasnem tão curto a ponto de impedir estudos para se buscar a melhor solução do problema.Pedro Parente, numa rápida exposição, insistiu em que seria fundamental que as medidas fossem anunciadas em período curto eemergencial e que o adiamento não fosse compreendido como uma ação protelatória.Parente concordou com a necessidade de se dar um tratamento adequado à divulgação das medidas e sua perfeitacompreensão por parte da sociedade.?É um tratamento de crise?, disse o ministro-chefe da Casa Civil, segundo relato de um dosparticipantes. É imperioso que a população assimile as medidas de emergência como resultado de uma ação do governo parasolucionar a crise e não como paliativo.?É importante que a sociedade receba as medidas como temporárias, que solucionarão os problemas e que seriam adotadaspor qualquer governo que estivesse enfrentando uma crise no fornecimento de energia?, disse a fonte.O Conselho definiu, então, a data do anúncio no dia 23 de maio, quando se explicitará que a solução da crise passa pelamudança da matriz energética brasileira com um programa complementar de fornecimento de energia por meio da geração dastermoelétricas.Os investimentos em termoelétricas terão prioridade em relação à construção de hidrelétricas, período em que ogoverno espera que os mananciais dos lagos retornem a níveis satisfatórios.O representante da sociedade civil no CNPE, José Goldenberg, também concordou com as ponderações do ministro daFazenda, enquanto outros representantes do setor privado defendiam outras medidas.Foi sugerida ao ministro doDesenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, a criação de um grupo de trabalho para analisarpermanentemente a situação do setor, mais especificamente a produção de eletrodomésticos, em cuja fabricação seria exigido oselo de indicação do consumo de energia, a exemplo do que já ocorre nos Estados Unidos.O presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco, lembrou que era preciso retomar os estudos sobre o projeto de Angra, masnão sensibilizou os outros conselheiros, porque se trata de um projeto de longo prazo.Outras propostas apresentadas na reuniãodesta terça-feira do CNPE consideraram a possibilidade de os grandes consumidores poderem ser contemplados com um regimecompensatório.Não se chegou a definir que regras poderiam ser adotadas, mas José Goldenberg se propôs a acompanhar o ministro Tápiasem um encontro com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e marcarem uma reunião com esses grandes consumidorespara definir uma estratégia de comum acordo.

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