Operador confirma ser amigo de ex-assessor de José Dirceu

Em depoimento que prestou nesta segunda-feira à CPI dos Correios, o operador de mercado Murilo de Almeida Rego admitiu que é amigo de Marcelo Sereno, ex-secretário de Comunicação do PT e ex-assessor especial de José Dirceu na Casa Civil, e confirmou que trabalhou como assessor parlamentar do ex-deputado e atual prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT-RJ), entre 1994 e 1996.Suspeito de ter feito operações que deram prejuízo a fundos de pensão, Murilo Rego, que é filho de Haroldo de Almeida Rego, mais conhecido como Haroldo Pororoca, garantiu que nunca conversou com Sereno sobre operações de mercado com fundos de pensão."O Marcelo Sereno é meu amigo pessoal, e nunca conversamos sobre fundos de pensão nem sobre política", disse Murilo. Ele foi à CPI dos Correios junto com sua mulher, Rogéria da Costa Beber. Ela apresentou um atestado médico pelo qual Murilo sofreria de transtorno bipolar do humor, desde 1999, e por isso todo o patrimônio da família está em seu nome.No depoimento, Rogéria afirmou não ter responsabilidade na gestão de recursos que foram movimentados pela corretora Arbor, de propriedade da família Almeida Rego. Segundo Rogéria, as operações no mercado financeiro são feitas por Murilo. Já Murilo disse que o patrimônio da família é de cerca de 85 imóveis."Ficou claro que eles têm uma movimentação financeira incompatível com o que está na declaração de imposto de renda deles", observou o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), sub-relator de fundos de pensão da CPI dos Correios. "Além disso, eles têm ligações estreitas com o PC do B e o PT, e ficou claro que eles têm participação na indicação de dirigentes de fundos de pensão", completou.A CPI dos Correios tomou depoimento da ex-gerente financeira do Nucleos - fundo de pensão dos funcionários de estatais ligadas à área nuclear -, Fabiana Carnaval Carneiro. Ela é prima de Christian de Almeida Rego, também filho de Haroldo Pororoca, suspeito de ter feito operações fraudulentas com fundos de pensão.No depoimento, ACM Neto acusou o Nucleos de ter realizado operações com as corretoras Quantia e Euro, que provocaram prejuízos de R$ 1,13 milhão ao Virconio, um fundo de investimento mantido com recursos do fundo de pensão.Mas Fabiana, em seu depoimento, disse que não teve conhecimento das operações.Disse ainda que sua função limitava-se a acompanhar as decisões da diretoria executiva relativa aos investimentos e verificar se elas estavam de acordo com as deliberações do conselho do fundo e com a legislação do mercado financeiro. "Meu peso nessas decisões era zero. Eu nunca acompanhei as reuniões de diretoria para dar minha opinião", afirmou a ex-gerente do Nucleos.

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