Operações sob suspeita totalizam R$ 29 milhões

A corretora Bônus Banval, da qual foi sócio o empresário Enivaldo Quadrado, preso pela Polícia Federal na madrugada de sábado com 361 mil euros escondidos, foi acusada de participar de operações suspeitas e escândalos envolvendo órgãos públicos e políticos que somam pelo menos R$ 29,4 milhões. A corretora foi alvo do Ministério Público, do Ministério da Previdência e da CPI dos Correios.Na ação penal que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), na qual Quadrado é acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, a Bônus Banval é suspeita de ter auxiliado na lavagem de R$ 1,2 milhão em propinas destinadas a garantir o apoio do PP ao governo.A corretora também foi citada no relatório da CPI dos Correios como uma das participantes de operações de compra e venda de títulos que teriam causado perdas de R$ 14,8 milhões ao patrimônio de fundos de pensão de empresas estatais.A Bônus Banval aparece ainda em dezenas de relatórios de auditoria do Ministério da Previdência Social, como intermediária em operações de compra e venda de títulos públicos federais a preços fora do padrão do mercado, realizadas para institutos de aposentadoria municipais ligados a diversas prefeituras entre 2004 e 2007. A investigação do Ministério Público e da Polícia Federal estima prejuízos de R$ 13,4 milhões impostos a pelo menos dezoito fundos municipais, a maioria ligada a prefeituras paulistas.Por conta da acusação de envolvimento no esquema de compra de votos do mensalão, Quadrado também foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça Federal em Brasília em 2007, junto com outras vinte e sete pessoas, por atos de improbidade contra a administração pública.O Ministério Público apontou Quadrado como integrante de uma "quadrilha autônoma" dedicada a dissimular "origem, natureza e destino dos recursos" usados para o pagamento de propinas a parlamentares da base do governo no mensalão.Segundo os procuradores, diversos repasses, no total de R$ 1,2 milhão, liberados pelo publicitário Marcos Valério, foram para a conta da empresa Bônus Banval. Depois, a propina teria sido transferida "aos destinatários reais do esquema".Em depoimentos incluídos pelo Ministério Público na ação que denuncia o mensalão, Marcos Valério declarou ter participado de reuniões com Quadrado e o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, na sede do partido em São Paulo para discutir repasses ao PP. Quadrado negou na CPI todas as irregularidades e se defende na Justiça das acusações do Ministério Público.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.