Operação Vampiro prendeu 14 pessoas em 3 Estados e no DF

Uma ação desencadeada ontem de madrugada por cerca de cem agentes da Polícia Federal - a Operação Vampiro - prendeu em três Estados e no Distrito Federal 14 pessoas envolvidas em fraudes que podem chegar a R$ 2 bilhões na compra de hemoderivados para o Ministério da Saúde. Outras quatro já identificadas estão foragidas. O mais importante dos detidos é Luiz Cláudio Gomes da Silva, coordenador-geral de Logística do Ministério. Levado para Brasília, pelo ministro Humberto Costa no terceiro mês do governo Lula, Silva era até ontem de manhã um dos principais auxiliares do ministro. Na casa dele, no Recife, a PF apreendeu R$ 120 mil, US$ 20 mil e 7 mil. Além dele a PF prendeu cinco funcionários do Ministério. Um dos quatro foragidos é o vice-presidente do Jornal de Brasília, Lourenço Rommel Pontes Peixoto. As autoridades acreditam que o esquema funcionava havia pelo menos 13 anos. Ele consistia em operações de superfaturamento nos preços de remédios comprados pelo MS, favorecimento de empresas, tráfico de influência e fornecimento de dados sigilosos a concorrentes. ´Decepcionado´ Em Genebra, o ministro da Saúde, Humberto Costa, interrompeu sua agenda para voltar ao Brasil, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (ele passou a noite em Paris). Responsável pela contratação de Gomes da Silva, o ministro se disse "profundamente surpreso e decepcionado" por saber que ele estava implicado no escândalo. O ministro interino, Gastão Wagner, confirmou que todos os funcionários com cargo de confiança, demitidos ontem, foram indicados por Costa. "O ministro é quem escolhe", afirmou. Pelos levantamentos do Ministério, os prejuízos para os cofres públicos passam de R$ 170 milhões por ano. "Anteriormente as compras de hemoderivados (produtos indispensáveis ao tratamento de hemofilia) custavam em torno de R$ 400 milhões. Conseguimos reduzir, com a adoção de pregões (leilão onde o laboratório apresenta o menor preço), em torno de 42% do valor dos produtos", contou Wagner. Para chegar aos 14 detidos, a PF fez buscas em Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro - e no Distrito Federal. Na casa do lobista Francisco Danúbio Honorato, em Brasília, foram apreendidos R$ 500 mil e US$ 100 mil. A PF recorreu a grampos telefônicos, filmagens e abriu o sigilo bancário dos principais acusados. O esquema começou a ser aberto em março último, quando foram detectadas diversas falhas em duas licitações internacionais. Elas se destinavam à compra de dois itens, Fator 8 e Fator 9, usados principalmente no tratamento de hemofilia. "Como o Brasil não detém tecnologia para este tipo de hemoderivados, eles são importados", explicou Wagner. Depois, a PF chegou a um grupo de empresários, lobistas e servidores públicos - um deles era o coordenador-geral Luiz Cláudio. Soube-se que ele era responsável pelas compras da pasta com ajuda de seu primo e colaborador, Manoel Pereira Braga. Foram também afastados de suas funções João Batista Landim e Salatiel Soares Neto, comissionados. Outras três funcionárias: Cíntia Vaz de Araújo, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ariane Alves Rodrigues da Silva e Marta Cristina Peres Barros, servidoras do Ministério, também foram presas.

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