Operação Sertão Veredas resulta em 13 prisões

A operação "Sertão Veredas", deflagrada pela Polícia Federal em Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo, nesta segunda-feira, resultou na prisão preventiva de 13 pessoas acusadas de envolvimento num esquema de fraude em licitações e em obras e serviços públicos em cidades do Norte de Minas. O dinheiro desviado, entre outros destinos, era aplicado na compra de imóveis e carros de luxo, propriedades rurais e casas de veraneio no litoral capixaba e no Sul da Bahia.

CHRISTIANO JILVAN, Agência Estado

27 de maio de 2013 | 18h05

Com o apoio do Ministério Público Estadual, três delegados e 100 agentes cumpriram nos três estados 45 mandados de prisão, busca e apreensão. Foram apreendidos 45 veículos, entre carros de passeio e máquinas pesadas, e 60 imóveis estão bloqueados. A Polícia encontrou também R$ 600 mil em cheques, R$ 60 mil em dinheiro e notas fiscais de origem duvidosa (frias).

Entre os acusados estão empresários, agentes públicos e ex-servidores públicos municipais. Há em aberto um mandado de prisão contra um ex-prefeito do Norte de Minas.

Marcos Vinícius Crispim, conhecido como Corbi, empresário em Januária (MG) é apontado nas investigações como o "mentor" do esquema. Seu advogado, Cristiano Jackson Pereira Otoni, adiantou que não tem conhecimento de quais são as acusações contra ele e, por isso, seu cliente fará uso do direito ao silêncio no depoimento. "Ainda não tivemos acesso aos autos, mas pediremos a revogação da prisão temporária", disse Otoni, que representa outros dois acusados.

Rombo seria maior

No período entre 2011 e dezembro de 2012, segundo o delegado-chefe da Polícia Federal em Montes Claros, Marcelo Eduardo Freitas, "a investigação aponta para uma sangria nos cofres públicos próxima a R$ 5 milhões". Neste primeiro momento, a incidência maior das apurações concentra-se na gestão anterior dos municípios mineiros de Itacarambi (MG) e de Januária. "As provas são robustas", informou.

No entanto, o rombo seria bem maior. "Se somados, os patrimônios dos acusados chegariam, no mínimo, aos R$ 50 milhões", completou o também delegado Thiago Amorim, ao afirmar que o esquema seria uma forma de reaver o dinheiro aplicado por terceiros em campanhas eleitorais.

Conforme a PF, no esquema, os mandatários da comissão de licitação permitiam que só uma empresa ligada ao grupo participasse do processo de contratação de serviços de limpeza pública e de mão de obra, pavimentação, construção e locação de máquinas e de veículos pesados. Não havia fiscalização alguma. "Após as mediações, a licitação era direcionada. O pagamento era feito de forma integral e o serviço era feito pela metade ou, em vários casos, nem mesmo acontecia obra alguma", pontuou o delegado Marcelo Freitas.

O Ministério Público de Minas Gerais apurou, ainda, que parte do dinheiro desviado era usada para comprar casas, apartamentos e sítios. Um das propriedades rurais adquiridas recentemente pela esposa de um dos acusados custou R$ 300 mil e foi paga à vista. Mas para não chamar a atenção, o imóvel adquirido ficava em nome de filhos menores dos envolvidos ou de terceiros, mas sempre com procuração de um integrante do grupo investigado para o controle e possível negociação.

O delegado federal Eduardo Maurício de Araújo adiantou que os envolvidos são denunciados pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, ausência de licitação, mau uso, desvio e apropriação de recursos públicos.

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