Operação prende cerca de 60 pessoas por sonegação

Pelo menos 60 pessoas foram presas nesta sexta-feira em nove Estados, onde a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público deflagraram a Operação Catuaba, para caçar sonegadores do setor de bebidas. Cerca de 300 policiais e 50 fiscais federais foram mobilizados, com mandados de prisão para 83 pessoas, expedidos pela 4.ª Vara da Justiça Federal, em Campina Grande (PB).A operação previa cobrir 32 municípios de nove Estados do Norte e Nordeste (Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Goiás).O ponto principal da rede de sonegação é a Paraíba, onde o empresário Daniel dos Santos Moreira, conhecido como Daniel da Coroa, é acusado de chefiar outras 39 empresas - algumas legalizadas e outras de fachada - em quase todos os Estados do Nordeste, no Pará e Goiás.Ele foi preso em Patos (300 km de João Pessoa), junto com sua mulher, Maria Madalena Monteiro, e o filho, Raniere Mazilli Monteiro.Segundo o delegado Ricardo Amaro de Oliveira, que foi enviado de Minas Gerais para comandar a prisão, outras 60 pessoas estavam diretamente ligadas à organização criminosa naqueles Estados. Entre os presos estão agentes fiscais federais e do governo da Paraíba, funcionários e parentes de Moreira.Prejuízo de R$ 25 milhõesDe acordo com o delegado, a organização de Daniel da Coroa "vinha causando prejuízo anual de R$ 25 milhões em sonegação de impostos federais e estaduais".Os presos podem ser indiciados por falsificação de selos de controle do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha (ou bando), corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro. A pena para todos esses crimes juntos pode chegar a 30 anos de cadeia.Os agentes também apreenderam uma aeronave e dois carros importados pertencentes a Daniel da Coroa, além de documentos e computadores que estavam na sede do grupo, em Patos. Na cidade de Bacabal, no Maranhão, a PF apreendeu 14 mil caixas de bebidas sem selo federal.EstadosNo Ceará, a operação prendeu sete pessoas, na maioria funcionários da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-CE). Eles teriam recebido, segundo a PF, dinheiro - o valor não foi divulgado para ajudar Moreira na sonegação de impostos.No Piauí foram presas oito pessoas, também agentes estaduais de Fazenda, na sua maioria. Foram presos em Teresina Gonçalo Ferreira de Carvalho, Gilvan de Resende Alves, Iolanda Pereira Figueiredo e o empresário Antônio Neto de Lucena. Em Campo Maior, a 84 km ao norte de Teresina, foram presos Edmundo Gomes de Oliveira, Jessé Rodrigues de Sousa e Walter Machado. Em Parnaíba, 355 km ao Norte de Teresina, foi preso Goethe Castilho Machado.No Maranhão, a operação fez seis prisões, três delas na capital, uma em Imperatriz (700 km de São Luís), uma em Paraibano (750 km da capital) e outra em Pedreiras (250 km da capital). O superintendente da Polícia Federal no Maranhão, Francisco Gomes da Silva, não divulgou os nomes dos detidos alegando se tratar de segredo de Justiça.No Rio Grande do Norte, foram confirmadas duas prisões até o início da noite. Trata-se de dois auditores fiscais, detidos ainda pela manhã em Caicó (292 km de Natal). "Fui informado de que os dois foram transferidos para João Pessoa", disse José Mendes, corregedor da Secretaria Estadual da Tributação, acrescentando que não existem investigações contra os dois funcionários na Corregedoria.Em Pernambuco, a Operação Catuaba contou com 20 policiais federais, entre delegados e agentes, e culminou com a prisão do engenheiro mecânico Joaquim Jorge de Franca da Silva, 28 anos. Os policiais apreenderam 1,5 mil frascos de bebida, documentos, notas fiscais, dois computadores, dinheiro (R$ 5 mil) e vários cheques na sede da empresa Nóbrega Comércio de Bebidas e Vasilhames, localizado no bairro do Ibura, zona sul do Recife.Em Alagoas, foi presa a comerciante paraibana Maria da Conceição Medeiros, 42 anos, que estava hospedada no Hotel Jatiuca - um dos mais luxuosos de Maceió. Ela foi levada para a carceragem da superintendência da PF, no bairro de Jaraguá.No Pará, o gerente da agência do Banco da Amazônia (Basa) do bairro da Pedreira, Ormeu de Farias Pires, foi preso sob acusação de receber propina para facilitar a aprovação de empréstimos ao grupo de Moreira. Pires negou ter recebido qualquer vantagem financeira. Um de seus advogados anunciou que iria impetrar um habeas-corpus para que o gerente saia da cadeia antes de se esgotar o prazo de cinco dias do decreto de prisão.

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