Operação para proteger Dilma prevê derrubada de convocação

Requerimento que para falar explicitamente do dossiê deve ser derrubado na próxima terça-feira, 22

Christiane Samarco, Agência Estado

16 de abril de 2008 | 21h12

A operação para proteger politicamente a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), deflagrada pelo Planalto, prevê que ela vá depor no dia 30 na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, mas que seja derrubado, na próxima terça-feira, 22, o requerimento que a convocou para falar explicitamente do dossiê vazado da Casa Civil com dados sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira dama, Ruth Cardoso. Na avaliação dos governistas, o máximo aceitável é que ela atenda ao primeiro requerimento - que prevê uma exposição da ministra sobre as obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) -, com algumas perguntas sobre cartões corporativos e o dossiê. Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos  Oposição fura o cerco e Dilma terá de explicar dossiê no SenadoDossiê FHC: o que dizem governo e oposiçãoPF pede a governo dados sobre segurança da Casa CivilPF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHCDossiê com dados do ex-presidente FHC   Convencidos de que Dilma não terá como fugir da convocação, os líderes avaliaram que a melhor tribuna para a ministra "liquidar o assunto" é mesmo a Comissão de Infra-Estrutura. "Eu defendo a tese de que ela vá à comissão e responda inclusive sobre o dossiê, desde que os questionamentos sejam respeitosos", disse ontem o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Como o assunto da primeira convocação é positivo para a ministra e para o governo, o líder avalia que só nesta comissão será possível equilibrar o jogo. Afinal, o depoimento ficará dividido entre o PAC e a pauta negativa do cartão corporativo e do dossiê. A aparente boa vontade do líder não convenceu a oposição. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) duvida que os governistas permitam que a ministra responda questionamentos sobre dossiê na comissão de Infra-Estrutura. "Vão colocar toda a tropa de choque do governo na Câmara e no Senado em campo e serão tantos os gritos e a baixaria no plenário, que ela não terá como responder nada", prevê o tucano. Ele diz que sua descrença tem fundamento: "Os governistas desenvolveram uma tecnologia de CPI, para barrar na base do tumulto qualquer ofensiva da oposição." Os adversários do Planalto também não acreditam que prospere a convocação para explicar o dossiê, aprovada anteontem. "Eles vão derrubar isto facilmente à primeira oportunidade, seja hoje ou na semana que vem, aprovando outro requerimento que anule a convocação", prevê o senador tucano Álvaro Dias (PR). Esse é exatamente o teor do requerimento que Jucá apresentou ontem à Comissão de Infra-Estrutura, alegando que não compete a este órgão técnico discutir dossiê e cartões corporativos. "Mas Dilma terá de falar sobre dossiê na comissão, sob pena de seu silêncio ser mais comprometedor do que as respostas", adverte Dias. Os governistas escalados para "cuidar" da ministra no Congresso também não admitem que Dilma seja inquirida pela CPI dos Cartões nem tampouco que preste depoimento ao plenário da Câmara. A avaliação neste caso é de que uma sessão no plenário, transmitida ao vivo pela TV Senado, poderia "amplificar" o desgaste da candidata de Lula.O temor do Planalto e que a ministra não se saia bem, já que seu desempenho na entrevista coletiva sobre dossiê, concedida às pressas há duas semanas, foi considerado "desastroso". Por isto mesmo, os governistas que cogitaram de trazê-la ao Congresso esta semana foram desaconselhados e desistiram. A ordem é ganhar tempo, acalmar a oposição e "preparar" a ministra para o depoimento à Comissão, evitando improvisos de conseqüências imprevisíveis.

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