Operação Miqueias: grupo tentou se aproximar dos governos do RJ e TO

Relatório da Polícia Federal sugere que lobistas 'tinham muito poder no governo do Rio' e um deles foi a uma inauguração 'porque Siqueira pediu'

Andreza Matais e Fausto Macedo , O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2013 | 22h31

Brasília e São Paulo - Relatório da Operação Miquéias, da Polícia Federal, revela tentativas do grupo investigado pelo desvio de recursos de fundos de pensão de se aproximar dos governadores do Tocantins e do Pará. Um dos lobistas também demonstra ter influência no governo do Rio de Janeiro.

A PF descreve que Ezaquiel Oliveira, braço do esquema, diz ter "muito poder no Governo do RJ". Neste caso, contudo, não há mais informações no relatório.

O documento da PF, ao qual o Estado teve acesso, revela que no Tocantins o grupo tinha contatos no governo. Num dos diálogos interceptados com autorização judicial, uma lobista investigado diz que o doleiro Fayed Traboulsi, chefe do grupo, segundo os investigadores, foi à inauguração de uma obra no Tocantins "porque Siqueira pediu".

O relatório não informa sobre qual Siqueira os dois se referem. A PF suspeita tratar-se do secretário Eduardo Siqueira Campos, filho do governador Siqueira Campos (PSDB).

Em data próxima ao diálogo, 26 de abril de 2012, o governo inaugurou uma rodovia. O Jornal do Tocantins noticiou que as duas lobistas que tratam do assunto 'Tocantins' com Fayed são amigas do secretário no Facebook. A assessoria do governo informou que o secretário desconhece as lobistas, que tem muitos amigos no Facebook, e que não foi investigado pela PF.

Procurado por meio da assessoria, o governador não se ligou de volta para o Estado

No relatório de inteligência da PF, são apontadas relações do então presidente do Instituto de Gestão Previdenciária do Tocantins (IGEPREV), Rogério Villas Boas, com Fayed. Ele foi exonerado do cargo após seu nome ser mencionado.

A PF também descreve tentativa do grupo investigado, a que chama de "organização criminosa", de se encontrar com o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), o vice dele e o presidente do instituto de previdência do Estado. A PF interceptou uma sequência de diálogos entre dois operadores do esquema que indicam "que ambos intermediaram uma reunião entre os membros da organização criminosa... possivelmente com o governador, o vice e o presidente do instituto de previdência dos servidores do Estado do Pará."

O doleiro Fayed se queixa com uma lobista de que o encontro foi marcado com o chefe de gabinete do então secretário especial Sérgio Leão (PSD). Ele avisa à colega que os dois só iriam se o governador ou seu vice comparecessem. "... o contato com o chefe do gabinete do chefe do gabinete... é sacanagem... não resolve absolutamente nada. Quem resolve é o GOV ou o VICE GOV. Só eles..." 

A assessoria do governador informou que não há registro de encontro do governador, do vice e do presidente do instituto de previdência com essas pessoas. Até às 22h45 desta terça-feira, o governo não havia informado sobre o suposto contato com o ex-secretário. A PF não informa se o encontro ocorreu.

 

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