Operação liberta 1.100 trabalhadores escravos no Pará

OIT diz que ação foi a maior realizada pelo Ministério do Trabalho no país

Agencia Estado

03 de julho de 2007 | 14h47

Uma operação do Ministério Público do Trabalho e do governo federal libertou mais de 1.100 trabalhadores sob condições desumanas em um canavial do Pará.Em nota, a Organização Mundial do Trabalho (OIT) divulgou que essa foi a maior operação já feita no Brasil, onde cerca de 160 locais de trabalho clandestinos foram encontrados pelas autoridades nos últimos anos. "As condições degradantes são sempre as mesmas. Nada senão palha para se cobrir, sem banheiro, sem lugar para guardar comida. É um ciclo que se repete com pequenas variações", disse um porta-voz do grupo de combate ao trabalho escravo do governo. O promotor Luis Fernandes e seus colegas encontraram 1.100 pessoas trabalhando em condições análogas à escravidão e vivendo em alojamentos superlotados no canavial, que fica no município de Ulianópolis (PA) e pertence à empresa Pagrisa. Os trabalhadores disseram que a Pagrisa começou a recrutá-los cerca de seis meses atrás. Migrantes nordestinos costumam ser contratados para trabalhar em lavouras amazônicas. Normalmente, eles pagam pelo transporte até as distantes plantações e então ficam escravizados por dívidas, já que precisam comprar também alimentos e ferramentas a preços exorbitantes cobrados pelos patrões. O Brasil lançou em 2002 um plano de erradicação do trabalho em condições análogas à escravidão. Em 2004, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a divulgação em sites do governo dos nomes das empresas acusadas de usar trabalho forçado.

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