André Dusek/Estadão
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Operação Lava Jato envergonha a todos nós, afirma Cunha

Presidente da Câmara volta a negar envolvimento com esquema de desvios na Petrobrás e diz que não ficará constrangido em permanecer no comando da Casa

LUCIANA NUNES LEAL E MARIANA SALLOWICZ, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2015 | 15h17

Rio - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), uma das 50 pessoas que serão investigados sob suspeita de envolvimento com o esquema de desvios na Petrobrás, afirmou nesta segunda-feira, 9, que a Operação Lava Jato envergonha a todos. O parlamentar, no entanto, voltou a negar participação no esquema e disse que não ficará constrangido em exercer a presidência da Casa em razão da citação ao seu nome.

"Essa operação envergonha a todos nós", afirmou Cunha logo no início do seu discurso durante almoço com empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Além de Cunha, serão investigados outros 20 deputados, 12 senadores e um vice-governador, de acordo com a lista da Procuradoria-Geral da República apresentada ao Supremo Tribunal Federal, na sexta-feira, 6.

O presidente da Câmara será investigado pela prática de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O deputado aparece nas delações do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, ambos presos. No depoimento do ex-diretor da estatal, Cunha aparece como beneficiário de Fernando Soares, o Fernando Baiano, operador do PMDB. O deputado teria recebido dinheiro de um aluguel de navio-plataforma. Os valores não foram contabilizados pela investigação.

"Não tenho a menor dúvida de que terei facilidade de desmascarar cada coisa em relação a isso com toda serenidade", afirmou. Cunha repetiu as críticas ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. "O procurador escolheu a quem investigar, não abriu inquérito contra o Delcídio Amaral (PT-MS). A motivação política vamos debater com o tempo". "A petição do Janot é uma piada", insistiu, em entrevista após o evento com empresários.

Congresso. No momento de maior tensão na relação do PMDB com o governo, Cunha afirmou que é pouco provável a manutenção da aliança com o PT nas eleições presidenciais de 2018. O deputado acusou novamente o governo de interferência na elaboração da lista enviada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot ao Supremo


Durante a entrevista, o deputado afirmou ainda que é preciso evitar que a crise política atual contamine a economia. "Tem uma crise econômica hoje, mas ela é essencialmente política. Nós temos que evitar que o Brasil perca o grau de investimento, a confiança dos investidores, que a instabilidade política não seja fator de afugentar investidores. Precisamos ter consciência do papel que temos que desempenhar para dar um sinal de tranquilidade para os investidores e o mercado. Se não fizermos isso, vamos aprofundar a crise econômica."

Panelaço. Cunha comentou o panelaço e as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff durante o pronunciamento da petista em rede nacional, na noite desse domingo. O deputado rejeitou a tese de que o movimento foi orquestrado pela oposição e considerou um “sinal de alerta” da insatisfação de parcela da sociedade.

O presidente da Câmara disse que é “natural” a organização de novas manifestações em todo País no dia 15 de março, “desde que não se busque a ruptura”. Cunha reiterou ser contrário ao pedido de impeachment da presidente, que considerou uma tentativa de golpe.

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