Operação investiga se BVA fez repasses a políticos

Administradora de recursos do banco falido é alvo da Greenfield, que apura desvios em fundo de pensão; fundador da instituição é citado na Lava Jato

Fábio Serapião e Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2016 | 06h00

Investigadores da Operação Greenfield, que apura desvios em fundos de pensão, querem saber se o falido banco BVA e seus braços empresariais foram utilizados para camuflar o repasse de valores para políticos. A administradora de recursos do banco, Vitória Asset, foi citada duas vezes no relatório do Ministério Público Federal que embasou a operação.

A Greenfield apura “gestão temerária e fraudulenta” nos maiores fundos de pensão ligados a estatais cujos investimentos sob suspeita somam R$ 8 bilhões. Apesar da influência de políticos nos fundos, a operação, no entanto, não apontou a participação de agentes públicos no esquema.

A Greenfield vai requisitar informações da Operação Lava Jato. Uma empresa do fundador do BVA, José Augusto Ferreira dos Santos, já foi apontada como destinatária de repasses ao senador Romero Jucá (PMDB-RR). Em outra referência, o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró acusa o senador e ex-ministro Edison Lobão (PMDB-MA) de ter interferido para que o Petros, fundo de pensão da Petrobrás, investisse recursos no BVA. 

O Petros foi um dos fundos que mais aplicou dinheiro na empresa de administração de recursos do BVA. Em 2013, segundo balanço, a Vitória Asset geria R$ 722 milhões que estavam aplicados em fundos de crédito repletos de operações originadas pelo próprio BVA. Na prática, o Petros comprava a carteira de crédito do BVA, permitindo que o banco continuasse a operar. 

Outros R$ 500 milhões foram aplicados em dois fundos que investem em participações de empresas: o FIP Florestal, um dos sócios da Eldorado Celulose, do grupo J&F, e do FIP Multiner, empresa de energia que na época pertencia a Santos. 

As suspeitas levantadas pela Greenfield que envolvem o BVA dão conta justamente desses dois FIPs. Os procuradores afirmam que foram feitas superavaliações das empresas para prejuízo dos fundos. Segundo fontes ligadas às fundações, essa era uma forma de desviar dinheiro para financiar campanhas eleitorais.

Na Lava Jato, o fundador do banco foi citado pelo ex-executivo da Andrade Gutierrez Flavio Barra, que afirmou que Jucá pediu para que a empreiteira procurasse Santos “para viabilizar o pagamento da propina”. Esse pagamento seria feito pela Ibatiba Assessoria, Consultoria e Intermediação de Negócios, citada na delação. Santos também foi apontado por Cerveró como amigo pessoal de Lobão. 

Procurado, Santos não atendeu às ligações da reportagem. O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa Jucá e Lobão, disse que as afirmações dos delatores são “falsas”. Afirmou que Jucá “jamais teve intimidade” com Santos e Lobão “não tinha amizade” com o empresário.

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