OPERAÇÃO FALSA EVITA VAZAMENTOS

Investigação fictícia camuflou atuação da PF

ANDREZA MATAIS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2014 | 02h06

Para evitar vazamentos da Operação Lava Jato, a Polícia Federal criou uma operação fictícia que ganhou nomes, etiquetas e pastas. A Operação Cana Verde nunca saiu nem sairá do papel.

A Cana Verde tinha como "alvo" uma grande rede de contrabandistas. O mote da ação não seria surpresa no Paraná nem desencadearia suspeitas. Fronteira com o Paraguai, o Estado é uma rota conhecida de contrabandistas.

O tema foi escolhido para justificar a presença de policiais da Divisão de Repressão a Crimes Fazendários e de 50 servidores da Receita Federal recrutados pela Lava Jato. Auditores e policiais especializados em crimes fazendários são parceiros habituais em investigações tributárias.

Esse tipo de operação fictícia é chamado de "cobertura", uma forma de tentar evitar que a movimentação de tantos policiais levantasse suspeitas e de tentar impedir vazamentos dentro da polícia.

A maioria dos 300 policiais que participaram da operação só soube que se tratava da Lava Jato na madrugada de sexta-feira, quando foi dada a ordem para que cumprissem os 85 mandados de prisão, busca e apreensão em cinco Estados do País mais o Distrito Federal. Na cúpula da PF e entre os comandantes da operação, a sétima fase da Lava Jata ganhou um apelido mais dramático, mas que poderia levantar suspeitas imediatas, de Juízo Final.

Para dar maior veracidade à operação cobertura, nas pastas que guardavam os mandados judiciais, as etiquetas traziam o nome da Cana Verde, alterado quando foi dada a ordem para que os policiais saíssem para as diligências.

A sétima fase da Lava Jato - que levou à prisão 20 executivos de nove empreiteiras, sendo quatro presidentes, e um ex-diretor da Petrobrás - é considerada histórica na PF. Foi a primeira vez que uma ação do Ministério Público e da corporação atingiu, ao mesmo tempo, as maiores construtoras do País.

Os presos foram levados para o mesmo local onde está o doleiro Alberto Youssef desde março. Ele aceitou delatar o esquema de corrupção na estatal em troca de redução de pena. Seus depoimentos e os do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa resultaram na atual fase da Lava Jato.

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