Operação Euterpe investiga 30 empresários

Após prender, na última quarta-feira, 25 servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) suspeitos de integrar uma ampla rede de corrupção, no Rio, a Polícia Federal se volta agora para empresários que se utilizavam do esquema montado por eles. Pelo menos trinta pessoas que teriam pago propina para poder cometer crimes ambientais livremente estão sendo investigadas. Três consultores de empresas de construção civil e três comerciantes de pescado já tinham sido capturados na quarta, junto com os servidores, durante a Operação Euterpe, totalizando 31 prisões. Os consultores são acusados de comprar laudos forjados pelos funcionários para erguer empreendimentos em áreas de proteção ambiental - na capital e em Angra dos Reis (Sul Fluminense), Cabo Frio (Região dos Lagos), e Baixada Fluminense. Os comerciantes, segundo a PF, pagavam suborno para que autorizassem a pesca na época de reprodução de peixes e crustáceos, prática proibida por lei. "Não existe corrupto sem corruptor", lembrou o delegado Alexandre Saraiva, que conduz o inquérito. Segundo ele, existem indícios de que o grupo já atuava havia pelo menos 15 anos. A quadrilha é organizada e envolve outros servidores do Ibama, disse Saraiva, que também estão na mira da PF.FalsidadeEntre os consultores de empresas presos, está o engenheiro Carlos José Ruffano Favoreto, que também foi denunciado pela Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa por falsidade ideológica, no ano passado. Ele produziu Relatórios de Impacto sobre o Meio Ambiente (Rimas) se dizendo "assessor especial da Alerj na área ambiental desde julho de 2001", cargo que jamais ocupou. Em junho de 2005, o presidente da comissão, deputado Carlos Minc (PT), levou o caso ao Ministério Público do Estado e à Feema, mas não obteve resposta.

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