Operação Esopo: ex-assessor do Ministério do Trabalho se entrega

Anderson Pereira é suspeito de participar de esquema de fraude em licitações públicas, que pode ter sido responsável pelo prejuízo de R$ 400 milhões aos cofres públicos, segundo a PF

O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2013 | 16h25

Brasília – Horas depois de ser considerado foragido pela Polícia Federal, o ex-assessor do Ministério do Trabalho, Anderson Brito Pereira, se entregou à Polícia Federal, informou a Agência Brasil. Ele é suspeito de participar de um esquema, revelado nesta segunda-feira pela operação Esopo, de fraude em licitações públicas, que pode ter sido responsável pelo prejuízo de R$ 400 milhões dos cofres públicos, segundo a Polícia Federal. 

Pereira se entregou na noite desta segunda-feira, 9, à superintendência da PF no Distrito Federal e, em seguida, foi conduzido ao Complexo Penitenciário da Papuda, também na capital federal.

As investigações que culminaram com a deflagração da Operação Esopo tiveram início há dois anos e constataram indícios de fraude em licitações de prestações de serviços, construção de cisternas, produção de eventos turísticos e de festivais artísticos.

Os contratos eram celebrados com organizações da sociedade civil de interesse público aptas a fazer parceria com o governo, mas os serviços contratados ou eram superfaturados ou simplesmente não eram feitos. Parte do dinheiro recebido pela contratada era repassado a agentes públicos envolvidos no esquema.

As fraudes ocorriam em 11 estados – Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo, Ceará, Amapá, Paraná, Roraima e Pernambuco – e no Distrito Federal.

Por causa das denúncias, o Ministério do Trabalho exonerou Anderson Pereira e o coordenador de Contratos e Convênios da Secretaria de Políticas Públicas de Emprego, Geraldo Riesenbeck. As duas portarias ministeriais foram publicadas na edição de hoje do Diário Oficial da União.

Anderson Brito já havia sido demitido do ministério pelo ex-ministro Brizola Neto (PDT-RJ), que informou nesta segunda-feira ter detectado suposta operação para direcionar os recursos de um convênio ao Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC), mas foi readmitido pelo atual titular da pasta, Manoel Dias (PDT-SC).

Riesenbeck e o subsecretário de Planejamento do ministério, Antônio Fernando Decnop, foram presos nesta segunda-feira. Outro suspeito de participar do esquema, o secretário-executivo do ministério, Paulo Roberto Pinto, prestou depoimento e foi liberado em seguida.

Em nota, o ministério esclareceu que pediu à polícia informações sobre a Operação Esopo - as investigações seguem em sigilo. Além disso, solicitou à Advocacia-Geral da União que acompanhe o caso e informou que vai instaurar processos administrativos disciplinares para apurar os fatos.

O ministério garantiu que não mantém convênio com a organização não governamental Instituto Mundial de Desenvolvimento e Cidadania. Os convênios celebrados com municípios e estados sob investigação serão suspensos, informou o ministério.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.