Operação da PM-RJ não detém o tráfico

Chamada de "operação asfixia", a ocupação de 40 das cerca de 600 favelas do Estado do RJ, iniciada hoje, não conseguiu coibir a ação dos agentes do tráfico de drogas. A ação foi ordenada pelo governador Anthony Garotinho depois do violento confronto entre policiais e traficantes do Morro do Faz-quem-quer, na zona norte do Rio, na segunda-feira, no qual sete bandidos morreram. A ?operação asfixia? fecha as entradas dos morros. Por volta do meio-dia, no Morro da Mineira, no centro, uma das áreas ocupadas, era possível ver bandidos encapuzados com pistolas na mão a menos de duzentos metros do único carro destacado para o local pelo 1º Batalhão da PM, perto do qual três policiais conversavam. No Faz-quem-quer, as mães não puderam levar seus filhos à escola porque o tráfico ordenou o fechamento dos colégios. "Meu filho de dois anos sente falta da creche, mas não foi ontem, nem hoje, por causa dessa guerra. Está todo mundo apavorado", contou uma dona de casa que preferiu não se identificar.Aos 65 anos e há 60 no morro, outro morador disse estar acostumado com a presença da polícia. "Favela é assim mesmo: bandido de um lado, polícia de outro, e nós no meio do fogo cruzado. Já aprendemos a nos proteger quando tem tiroteio." Para o comandante geral da corporação, coronel Wilton Soares Ribeiro, a "operação asfixia" é um método eficaz de diminuir o poder do tráfico. "Ao fecharmos os principais acessos dos morros, a venda de entorpecentes acaba, assim como os embates entre traficantes rivais. Paralelamente, o Batalhão de Choque e o Batalhão de Operações Especiais vão continuar entrando nas favelas de surpresa para fazer apreensões de drogas e de armas", disse Ribeiro.O comando das 38 unidades da PM, entre batalhões e companhias independentes, determinou que os policiais se coloquem nas principais entradas das favelas, para coibir a entrada e saída de bandidos. O coronel Ribeiro explicou que a decisão sobre a quantidade de PMs destacada para cada morro cabe aos comandantes dos batalhões.O comandante garantiu que não faltarão PMs para cobrir as 40 comunidades - mesmo com a necessidade de policiar os presídios do Estado, por causa da greve dos 2.432 agentes penitenciários. "Temos um efetivo de 34 mil policiais, suficiente para nossas operações."

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