Operação da PF prende sobrinho do governador do AC e secretário

Polícia Federal cumpriu mandados de prisão contra servidores públicos e empreiteiros acusados de envolvimento em esquema de fraude em licitação e desvio de verba pública; prejuízo é estimado em R$ 4 milhões

atualizado às 14h55, Alana Rizzo e Itaan Arruda

10 de maio de 2013 | 08h29

A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira, 10, o sobrinho do governador Tião Viana (PT), Tiago Paiva, diretor de Análise Clínica da Secretaria Estadual de Saúde, o secretário de Obras e outros servidores públicos do Estado e de Rio Branco. As prisões fizeram parte da Operação G-7, que investiga um esquema de fraude em licitação e desvio de verba pública no Estado. Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de prisão.

No decorrer das investigações, iniciadas em 2011, a PF analisou seis contratos de obras públicas e estima que R$ 4 milhões foram desviados. O valor total dos contratos é de R$ 40 milhões.

A polícia confirmou as prisões do ex-secretário de Estado de Habitação e ex-superintendente da Caixa, Aurélio Cruz; do secretário Municipal de Desenvolvimento e Gestão Urbana de Rio Branco, Luiz Antônio Rocha e do diretor executivo da Secretaria de Estado de Habitação.

O nome da operação é uma referência ao grupo das maiores economias do mundo. De acordo com as investigações, sete empresas se revezavam nas licitações e apenas simulavam a concorrência. "Com o cartel, elas praticamente dominavam todas as licitações do Estado na área da construção civil", afirmou o superintendente regional da Polícia Federal do Acre, Marcelo Sálvio Rezende Vieira.

A Polícia Federal disse ainda que as obras da Cidade do Povo, projeto orçado em R$ 1,1 bilhão e que prevê a construção de 10,5 mil moradias em Rio Branco, eram objeto de interesse do grupo.

Outros servidores e empreiteiros também são investigados. Os nomes e o número exato de envolvidos não foram informados. A PF informou que todos devem responder pelos crimes de formação de cartel, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, fraude à licitação e desvio de recursos públicos.

O sobrinho do governador, de acordo com a PF, estava envolvido no desvio fraudulento dos recursos do SUS. "Pessoas ligadas ao governo do Estado facilitaram a contratação de uma empresa que utilizaria recursos do Sistema Único de Saúde", disse o superintendente da PF.

Em nota, o governador Tião Viana afirmou que apoia "toda e qualquer ação" ao combate da corrupção, mas que vai aguardar os detalhes da investigação para adotar "medidas em defesa da ética e da função pública". Ainda segundo o texto, o governo fará a defesa da "integridade moral" dos secretários e técnicos citados na operação enquanto não houver decisões condenatórias. Já a assessoria de imprensa da Prefeitura de Rio Branco informou que não havia sido notificada sobre o assunto e não iria se manifestar.

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