Operação da PF prende doleiro no Distrito Federal

Entre os 17 presos suspeitos de integrar suposto esquema de fraude em fundos de pensão, estão Fayed Traboulsi e Marcelo Toledo, que teve nome envolvido na Caixa de Pandora

Andreza Matais - O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2013 | 14h31

Brasília - Entre os presos dentro da operação Miquéias, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 19, em nove Estados e no Distrito Federal, estão o doleiro Fayed Traboulsi e Marcelo Toledo. Toledo teve o nome envolvido na operação Caixa de Pandora, que levou à prisão o ex-governador do DF José Roberto Arruda. Está foragido Carlos Eduardo Lemos, conhecido como Dudu, operador conhecido por negócios com fundos de pensão de estatais.

A operação investiga um esquema de fraudes em fundos de pensão municipais. Até o fim da manhã, 17 pessoas foram presas. A Polícia Federal disse que não apresentará os nomes dos investigados porque começou a valer nesta quinta a Lei do Crime Organizado, proibindo a exposição dos alvos. A operação apreendeu carros importados de luxo, como Porsche, BMW e uma Ferrari vermelha, além de uma lancha no valor estimado em R$ 5 milhões. A lancha pertenceria a Fayed.

O esquema atingiu vários Estados, mas era comandado a partir de Brasília, por meio de uma consultoria financeira que fazia lavagem de dinheiro. Os crimes apurados na operação são atuação sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), corrupção ativa e passiva envolvendo prefeitos e gestores públicos, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Em um ano e meio de investigação, o esquema movimentou pelo menos R$ 300 milhões, dinheiro que era sacado na boca do caixa por "laranjas". O esquema envolvia 30 empresas de fachada.

A Polícia também apurou que o esquema consistia na cooptação de prefeitos, para que fizessem investimentos com recursos de fundos de pensão municipais em aplicações desvantajosas. Dez fundos municipais teriam sofrido perdas de R$ 50 milhões no período de um ano e meio.

O Estado apurou que pessoas com foro privilegiado podem estar envolvidas no esquema. Com isso, a Polícia deverá pedir autorização à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que esses alvos sejam investigados.

A operação envolve mais de 300 policiais que cumprem 102 mandados judiciais, sendo cinco de prisão preventiva, 22 de prisão temporária e 75 de busca e apreensão no Distrito Federal e nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Amazonas e Rondônia.

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