Ed Ferreira/AE
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Operação da PF neste sábado mira homem de Paulo Octavio

Federais fazem busca na casa de Marcelo Toledo, suspeito de arrecadar propina para o vice-governador

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo,

13 Fevereiro 2010 | 19h02

O ex-policial civil Marcelo Toledo, um dos investigados da Operação Caixa de Pandora e ex-braço direito do secretário Durval Barbosa, pivô do escândalo do mensalão do DEM no governo Arruda, foi um dos alvos da operação de busca e apreensão que a Polícia Federal fez na manhã deste sábado de Carnaval, 13, em Brasília. Na prática, esse foco aproxima as investigações da PF ainda mais de Paulo Octávio, governador em exercício no lugar do licenciado e preso José Roberto Arruda.

 

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Toledo trabalhou com Durval Barbosa na Secretaria de Assuntos Institucionais e foi um dos seus assessores de confiança. A secretaria era uma espécie de "bunker do caixa dois", de onde o ex-secretário Durval comandava a máquina de arrecadação e distribuição de propinas. Nas investigações da Operação Caixa de Pandora, Toledo aparece cuidando dos interesses de Paulo Octávio no rateio do dinheiro da propina.

 

Nos depoimentos dados à PF, Durval aponta Toledo como um dos investigados que recebia propinas do esquema em nome de Paulo Octávio. Procurado, Toledo não quis se manifestar. Na manhã deste sábado, na casa do ex-policial civil, no Lago Sul, ninguém atendeu a reportagem. O novo foco da PF complica a vida do governador em exercício porque em outra fita, da coleção de gravações feita por Durval, já aparece Marcelo Carvalho, outro executivo da construtora e incorporadora imobiliária de Paulo Octávio, recebendo propina na sala do então secretário, ainda no governo de Joaquim Roriz (2003-2006).

 

A operação de buscas e apreensões atingiu 21 endereços de pessoas e órgãos públicos investigadas por envolvimento no esquema de corrupção no governo do DF. Determinadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a pedido da Procuradoria-Geral da República, as diligências estão ligadas a fatos novos que complicariam ainda mais a situação do governador José Roberto Arruda, preso desde quinta-feira por tentativa de corrupção de testemunhas e obstrução das investigações. Todo o material apreendido foi levado para análise e perícia na Diretoria de Inteligência da PF.

 

Entre os locais devassados pelos policiais estão os palácios do Buriti, em Brasília e do Buritinga, na cidade satélite de Taguatinga, onde o governador despacha. Foram apreendidos documentos, planilhas, agendas e U$ 2,6 mil, além de R$ 1 mil.

 

Do total de mandados, 12 atingiram residências de investigados, cujos nomes não foram revelados pela PF, além do escritório da empresa Na Hora, que mantinha um contrato milionário com o governo do DF, no valor de R$ 12 milhões/ano.

 

Naves na Papuda

 

Depois de se entregar na noite de sexta-feira à Polícia Federal, o deputado distrital Geraldo Naves (DEM) foi transferido na manhã deste sábado para o presídio da Papuda. Naves juntou-se aos outros quatro secretários e diretores de órgãos públicos que tiveram a prisão decretada pelo STJ, na quinta-feira passada.

 

Naves era suplente do deputado distrital Raad Massouh. Assumiu para reforçar a aliança em defesa de Arruda por ser considerado mais combativo do que o titular do cargo. Durou pouco mais de um dia na Câmara porque teve a prisão decretada pelo STJ. Para o Judiciário e a polícia ele é um dos beneficiados do esquema do mensalão. A PF analisa e pericia documentos em que ele aparece prestando serviços ao governo do DF por meio da empresa Rota Central Produções.

 

Para a PF, os trabalhos têm indícios de "serviços de fachada" para justificar o que pode ser uma mesada de R$ 50 mil que seria paga pelo assessor de imprensa do DF, o jornalista Omézio Pontes. Os advogados de Naves e do jornalista negam que houvesse pagamento de mesada.

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