Operação contra lavagem de dinheiro prende 63 pessoas

Na maior operação de combate à lavagem de dinheiro já realizada no Brasil, a Polícia Federal prendeu nesta terça-feira 63 pessoas, a maioria doleiros, acusados de terem mandado irregularmente cerca de US$ 20 bilhões para fora do País, entre 1997 e 2002. Outras 60 pessoas estão com prisão decretada. Os nomes dos presos não foram divulgados para assegurar o direito à presunção de inocência e também para não atrapalhar as investigações. A PF usou cerca de 800 homens na operação. O próximo passo será identificar e prender os clientes dos doleiros. "Vamos agora atrás de quem estava por trás das remessas", disse o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda.Ao apresentar o balanço da operação, batizada de Farol da Colina, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que se trata de um trabalho ambicioso e profundo que pode ter ainda muitos desdobramentos. "A operação reflete a política de combate ao crime organizado, que o governo federal realiza de forma impessoal e republicana, sem olhar quem vai investigar e reprimir". O nome da operação é uma tradução livre de "beacon hill", nome da conta aberta do Banestado em Nova York, para a qual os doleiros faziam as remessas, a partir das agências do bando no Paraná.O maior número de prisões ocorreu em São Paulo (23), seguido de Minas Gerais (15), Rio de Janeiro (9), Pará (8), Amazonas (3), Pernambuco (3) e Paraíba (2). As prisões foram realizadas nas capitais destes estados. Apenas em Minas, além de Belo Horizonte, foram efetuadas prisões (11) em outra cidade, Governador Valadares, na qual um dos detidos é agente da PF. Lacerda disse que, embora tenha muitos doleiros, Brasília ficou de fora desta operação porque não foram atingidos nesta fase. "Nada impede que, mais adiante, as investigações apontem para aqui", disse Lacerda. As investigações começaram há mais de um ano e contaram com a colaboração das autoridades policiais e do Ministério Público dos Estados Unidos.

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