Operação anti-CPI pode sair cara ao governo

Ministros políticos comemoram a vitória governista sobre a posição na semana passada, mas estão convencidos de que a temperatura do Congresso não baixou por completo e reconhecem que a demonstração de força diante da CPI da Corrupção não significa uma recomposição efetiva da base de sustentação no Congresso."A situação política continua delicada, a base ainda está desarticulada", reconhece um interlocutor do presidente. Para essa fonte, o governo pagará um preço muito alto pelo sucesso da operação abafa deflagrada contra as investigações do Congresso, fatura que passará a ser apresentada pelos políticos a partir de agora. "O PFL se engajou no salvamento do ACM e não negou apoio ao governo", comenta.Na sua opinião, embora o Planalto não tenha se oferecido para trabalhar pelo salvamento de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, é natural que seu partido cobre apoio após ter ajudado na derrubada da CPI. "O presidente mostrou força, mas terá de pagar a conta", resume, antevendo a pressão dos aliados cujo futuro está em jogo.Colaboradores de Fernando Henrique também estão convencidos de que uma série de pendências políticas exigem resposta rápida para evitar uma nova turbulência na base de sustentação. Há, nos bastidores do poder, quem cobre solução para o que qualifica como pendências na agenda política. Uma delas é a definição do nome do novo líder no Senado, cargo ocupado interinamente pelo senador Romero Jucá (PSDB-RR) há cerca de um mês.O nome do senador Geraldo Melo (PSDB-RN) é o mais cotado na bolsa de apostas do Congresso, mas até agora não houve decisão. "Não se bateu o martelo ainda, o presidente é quem vai decidir", diz um interlocutor de Fernando Henrique. "O Geraldo é um bom nome, mas o presidente ainda não se decidiu", endossa um ministro envolvido na operação política do Palácio do Planalto."O governo tem de ter agora coerência e firmeza na área política e decidir o que está parado", cobra um ministro. Pendência mais recente que poderá ser resolvida a partir desta semana é o nome do novo titular do Ministério da Integração Nacional. O presidente poderá receber amanhã (14) membros da cúpula do PMDB para discutir o assunto. "Isso não é sangria desatada, o presidente tem tempo para definir", minimiza um político aliado. E tem mesmo. Até sexta-feira Fernando Bezerra, cuja exoneração não foi publicada no Diário Oficial, ainda era o titular da pasta.

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