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ONU denuncia mortes de indígenas no Brasil e pede medidas 'urgentes' para evitar novos assassinatos

Relatora especial sobre os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, esteve no Mato Grosso do Sul em março de 2016

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2016 | 09h48

GENEBRA – A ONU condena os ataques contra os índios Guarani-Kaiowá no Brasil e pede que as autoridades adotem "medidas urgentes" para impedir novos assassinatos, assim como investigar os autores dos crimes. O alerta foi lançado nesta quarta-feira, 22, pela relatora especial das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz. 

Segundo a entidade, no dia 14 de junho, o agente de saúde pública Clodiodi Achilles Rodrigues de Souza "foi morto a tiros e outros seis indígenas foram baleados, incluindo uma criança de 12 anos". "O ataque ocorreu no município de Caarapó, no estado do Mato Grosso do Sul, em terras ancestrais que foram recentemente reclamadas pelos Guarani-Kaiowá", indicou um comunicado da ONU emitido em Genebra. 

A perita acusa grupos paramilitares de estar agindo "por instruções de fazendeiros" e como "retaliação contra a comunidade indígena que busca o reconhecimento de suas terras ancestrais". 

“Essa foi uma morte anunciada”, disse Tauli-Corpuz, sobre a situação no Mato Grosso do Sul. “O estado é o mais violento no Brasil, com o número mais elevado e crescente de indígenas mortos”, explicou. Ela esteve no local em março de 2016 e já naquele momento alertou para as altas taxas de assassinatos. 

“Lamento que, apesar de meus alertas anteriores, as autoridades federais e estaduais fracasaram em adotar medidas rápidas para prevenir a violência contra povos indígenas”, disse. “Essa falha é agravada pelos recorrentes altos índices de violência e temores expressados pela comunidade de sofrer novos ataques”, insistiu. 

Ela promete apresentar aos demais governos da ONU um informe completo sobre a situação indígena brasileira em setembro, em Genebra. Mas, enquanto isso, faz um apelo para que "os procedimentos de demarcação sejam agilizados como uma questão prioritária, visando clarificar a titularidade de terras indígenas e prevenir uma maior escalada de violência". 

“A busca por interesses econômicos de tal modo que subordinem ainda mais os direitos dos povos indígenas cria um risco potencial de efeitos etnocidas que não pode ser desconsiderado nem subestimado”, completou.

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