ONU critica o Brasil por permitir crimes machistas

A Organização das Nações Unidas (ONU) denuncia o Brasil por permitir que ?crimes de honra? continuem existindo no País. Segundo um relatório da ONU sobre violência contra as mulheres, não é apenas no mundo islâmico que se comete esse tipo de crime, em que o marido mata a mulher que cometeu adultério e acaba sendo absolvido, na Justiça, por estar defendendo a honra. Segundo a ONU, depois de muita pressão de grupos feministas, a prática deixou de constar das leis do País. Apesar disso, as Nações Unidas garantem que têm indícios de que a lei continua sendo aplicada, mesmo sem existir. "Isso induz à idéia de que a esposa é propriedade do marido e que a honra é um aspecto da legítima defesa", avalia a relatora sobre violência contra a mulher da ONU, Radhika Coomaraswamy. De fato, no Código Penal brasileiro, ?paixão e emoção? não eliminam a responsabilidade criminal do acusado. Mesmo assim, Radhika Coomaraswamy, em seu relatório, ressalta que a Justiça do País adota decisões "contraditórias" em muitos casos. Segundo a relatora, um desses casos é o de João Lopes, que matou sua esposa após descobrir que ela mantinha um amante. A ONU ressalta que a decisão da Justiça foi de que o crime teria sido legítimo, baseado na defesa da honra. Outros países, como Argentina, Egito, Blangladesh, Irã, Jordânia, Líbano e Turquia também adotando leis similares. Diante da situação, a ONU pede que prática seja revista nesses países. Defensores Apesar do apoio da ONU no combate às violações no País, ser um defensor de direitos humanos no Brasil continua sendo um trabalho arriscado. Essa será a conclusão do relatório que será apresentado amanhã, em Genebra, por um grupo de organizações não-governamentais do País e estrangeiras. Segundo as ongs, o número de mortes de ativistas de direitos humanos aumentou nos últimos anos no Brasil. Na sede da ONU em Genebra, essas ongs prometem mostrar que empresários, a Justiça, policiais e políticos estão envolvidos nesses crimes. Uma dos objetivos das ongs é convencer a ONU a pressionar o governo brasileiro a investigar as mortes e as ameaças sofridas por defensores de direitos humanos.

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