ONU alerta para transmissão do HIV por uso se seringas

A UNAids, agência da ONU para o combate à aids, revela sua "preocupação crescente" com a propagação do vírus HIV no Brasil por uso de seringas contaminadas entre os usuários de drogas. Apesar de reconhecer os esforços do governo para tratar do problema, a agência da ONU alerta que os programas de prevenção não podem ficar restritos aos grandes centros urbanos. Segundo a entidade, a preocupação está baseada no fato de que, até recentemente, o País dedicou seus esforços de prevenção da Aids em campanhas nacionais que privilegiavam medidas para que a doença não fosse transmitida sexualmente. Para os especialistas, o Brasil, assim como outros países, deveria dar maior atenção para a prevenção da aids entre os usuários de drogas injetáveis. Em 1999, segundo a entidade, 42% dos usuários de drogas no Brasil já estavam contaminados pela doença. "Queremos evitar que o exemplo negativo da Tailândia se repita no Brasil", afirmou uma porta-voz da UNAids, que lembra que o país asiático se dedicou a combater a proliferação da doença, mas apenas em relação à transmissão sexual. Ao ignorar a contaminação por meio de seringas, a UNAids afirma que a Tailândia não conseguiu controlar a proliferação da aids. Segundo a agência, a tendência de que novos casos de aids estejam aparecendo com mais força entre os usuários de drogas pode ser ilustrada pela situação na Argentina. No país vizinho, 40% da pessoas com o vírus foram contaminadas por seringas. A UNAids reconhece os esforços do Brasil e lembra que programas de prevenção para os usuários de drogas contribuíram para queda do número de novos contaminados nas grandes metrópoles. Para a agência da ONU, porém, esses programas não podem ficar restritos aos grandes centros se quiserem, de fato, atacar o problema. ExemploSegundo a entidade, porém, Brasil continua sendo o exemplo na América Latina de combate à doença. Na abertura do Segundo Fórum sobre Aids na América Latina e Caribe, realizado hoje em Cuba, o diretor da UNAids, Peter Piot, não poupou elogios às experiências de tratamento desenvolvidas no País. Já a realidade nos demais países da América Latina é muito diferente. Segundo Piot, o principal obstáculo é a falta de recursos, mas as crises políticas na região também têm contribuído para que os programas de prevenção e de tratamento não tenham a continuidade de que necessitam. Dos 370 mil pacientes latino-americanos que precisariam de remédios gratuitos para tratarem da aids, apenas metade estão sendo beneficiados, a grande maioria deles no Brasil. No total, existem quase 2 milhões de pessoas vivendo com a doença na América Latina e Caribe. No ano passado, 100 mil pessoas na região por causa da aids.

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