ONU alerta para crescimento do número de idosos

Enquanto muitos países se preocupam com o aumento no número de jovens, sem emprego e com excesso de tempo ocioso, a Organização das Nações Unidas (ONU) informou, nesta semana, que a quantidade de idosos no mundo inteiro é cada vez maior. "As mudanças que estão ocorrendo não têm paralelo em nenhum outro século", disse Joseph Chamie, demógrafo americano que é diretor da divisão de população da ONU. "E essa tendência vai se acelerar no século 21." Chamie apresentou projeções em um mapa chamado Envelhecimento Populacional: 2002. Seus números mostram que o aumento dos idosos está amplamente difundido, não se restringindo apenas aos países ricos - e isso provavelmente vai provocar implicações profundas na economia de todas as regiões. Se antes havia o temor de instabilidade causada por jovens desempregados, suscetíveis a serem recrutados para a militância ou atividades criminosas, a existência de uma grande população de idosos desperta outras preocupações. Como os Estados Unidos já descobriram, estão aumentando as pressões sobre os sistemas de atendimento médico, sobre planos de saúde e segurança social, bem como sobre os fundos de pensão particulares.Mas, nos países mais pobres, esse atendimento muitas vezes ainda nem existe. No Sri Lanka, por exemplo, a população está envelhecendo rapidamente, há sistema de saúde público, mas não existe previdência social e só há alguns poucos planos de pensão privados. Segundo a ONU, nos países mais pobres, as pessoas com mais de 60 anos representam um quinto da população. As previsões indicam que a proporção chegará a um terço até 2050. O grupo etário que mais aumenta no mundo é o de pessoas acima de 80 anos. O crescimento é de 3,8% ao ano. TrabalhadoresOs demógrafos da ONU estão concentrados em uma estatística que chamam de "coeficiente de apoio em potencial". Ele significa o número de pessoas entre os 15 e os 64 anos, aptas para trabalhar e sustentar os aposentados. Em 1950, o coeficiente era de 12 para 1; em 2000 era de 9 para 1. Em 2050 poderá haver apenas 4 pessoas em idade de trabalhar para cada uma com mais de 65 anos. A maioria das pessoas mais idosas é do sexo feminino. Mas, nos países pobres, muitas vezes, elas não podem contar nem mesmo com a ajuda da família.Na terça-feira, o secretário-geral Kofi Annan divulgou um relatório sobre abusos de idosos, numa antecipação da conferência marcada para abril em Madri. "As mulheres vêm sendo torturadas, mutiladas ou até mortas, quando não fogem da comunidade que as culpa por todo tipo de catástrofe natural", diz o documento. O relatório também afirma que, embora os abusos físicos, financeiros, emocionais e até sexuais de pessoas idosas não sejam registrados, estudos mostram que o problema existe também nas nações mais ricas. A média de idade no mundo hoje é 26 anos, devendo chegar a 36 por volta de 2050, de acordo com projeções da ONU. O Iêmen é o país onde a média de idade é a mais baixa: 15 anos. O Japão tem a média mais alta: 41 anos. Em meados do século, a Nigéria terá a média de idade mais baixa: 20 anos, e a Espanha a mais alta: 55 anos.

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