ONU alerta: Brasil não pode considerar aids sob controle

O relatório anual da Unaids, agência da ONU para o combate ao HIV, alerta: o Brasil não pode pensar que, por ter um programa de combate à aids reconhecido em todo o mundo, já controlou a doença. Segundo o informe, o País "não pode dormir sobre seus louros" e os esforços devem ser mantidos. Nos últimos anos, o Brasil passou a ser conhecido como o primeiro país em desenvolvimento a lançar com sucesso um programa nacional de prevenção e tratamento do vírus HIV. Os remédios distribuídos no Brasil representam mais da metade dos produtos que são dados às populações afetadas pelo vírus em todo o mundo em desenvolvimento e, ao contrário do que se previa, o programa conseguiu frear o número crescente de aidéticos do País. Diante dos resultados, o modelo acabou sendo copiado em muitos países e se tornou um exemplo para a ONU sobre como uma economia emergente pode tomar iniciativas contra a doença. Mas na avaliação de Catherine Hankins, chefe da equipe científica da Unaids, nenhum país pode pensar que o trabalho está concluído. "Sempre olhamos para o modelo brasileiro como o exemplo a ser seguido. Mas precisamos lembrar que, no caso da aids, o trabalho nunca estará concluído", afirmou a cientista, que aponta que os número crescente de pessoas sendo infectadas no Brasil por uso de drogas e em relações sexuais entre homens devem ser alvo de atenção. De acordo com o documento, São Paulo é uma das cidades latino-americanas onde a prevalência do HIV entre homens que mantém relações sexuais com homens é uma das mais alta da região. A taxa de pessoas nesse grupo contaminada pelo vírus chegaria a 29% no ano de 2000. Em Buenos Aires, essa taxa é de 24% e, em Manágua, na Nicarágua, pouco menos de 10%. Segundo o relatório, entre 3% e 6% das mulheres no Rio Grande do Sul raramente tem acesso ao serviço de saúde pública. Para a UNAIDS, esses dados mostram que existiria o risco de que um novo aumento da epidemia ocorra sem que as vítimas sejam detectadas. O relatório ainda aponta que a epidemia "se propagou dos principais centros urbanos aos municípios menores de todo o País". Apesar do alerta, a ONU continua destacando os bons resultados obtido pelo País. A taxa de mulheres grávidas infectadas pelo vírus é baixa e se manteve nos últimos anos a níveis inferiores a 1% do total dessas mulheres. Segundo o relatório, isso é conseqüência dos programas de prevenção estabelecidos desde os anos 90 e dos esforços para ampliar a cobertura doatendimento aos grupos vulneráveis.? Leia também sobre a situação da aids no mundo

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