ONS diz que seca não causará novo racionamento

A seca que atinge a região Sudeste, especialmente o Estado de São Paulo, não deverá afetar o fornecimento de energia nos próximos dois anos. A avaliação é de técnicos do Operador Nacional do Sistema Elétrico Interligado (ONS), órgão que monitora a geração de toda a energia elétrica no País. Tanto a bacia do rio Tietê quanto a do rio Paraíba estão em níveis abaixo do "ideal", mas esses rios têm participação pequena na geração total de energia no País, e a situação tem sido compensada pelo estado relativamente tranqüilo das bacias dos rios Grande e Paranaíba. Enquanto o Tietê representa 2,7% da capacidade de armazenagem na região Sudeste/Centro-Oeste e o Paraíba do Sul, 1,4%, a bacia do Paranaíba participa com 36,5% e o Grande, com 36,9%. Pelos dados do ONS, os reservatórios da região Sudeste estão com 48,46% de capacidade, o que representa uma "folga" de 30,03 pontos porcentuais em relação à chamada "curva de aversão ao risco" definida pelo governo como limite crítico a partir do qual seriam tomadas medidas visando a preservar os reservatórios de água. A previsão para o dia 15 de outubro estava em 26,10% da capacidade dos reservatórios. A curva mede, dia a dia, o nível dos reservatórios e, caso olimite seja atingido, o ONS começa a acionar as usinas termelétricas de mais baixo custo, até chegar às térmicas do chamado "seguro apagão", que são as movidas a derivados de petróleo. Só após isso seriam acionadas medidas de contenção do consumo ou a importação de energia da Argentina. Essas hipóteses, evidentemente, dependerão muito do volume e do local das chuvas no "período molhado", que está começando. "Se o ritmo de chuvas, que vai até abril, for favorável, a situação dos reservatórios ficará ainda mais tranqüila", comenta um técnico do ONS.Pelos dados do ONS, os reservatórios na região Sudeste/Centro-Oeste estão com 54,16% de sua capacidade de armazenamento, bem acima dos 22,77% registrados em igual período do ano passado e dos 32,43% observados no ano 2000. Na região Sul, os reservatórios estão no nível de 57,01% da capacidade, contra 82,99% em igual período de 2001 e de 44,91% em 2000. Na região Nordeste os reservatórios estão com 39,91%, bem acima dos 15,94% de 2001 e abaixo dos 45,20% de 2000, enquanto na região Norte o nível deste ano está em 39,42%, contra 49,75% em 2001 e 51,96% em 2000.

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