ONGs são alvo do Ministério da Justiça

Campanha de combate à corrupção incluirá, em 2008, dinheiro dos clubes de futebol e gastos de campanha

Sônia Filgueiras, Brasília, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

Os alvos prioritários das políticas de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro em 2008 devem incluir três áreas complicadas: a atuação de organizações não-governamentais (ONGs), as operações financeiras dos clubes de futebol e o financiamento das campanhas eleitorais. Segundo o secretário Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, Romeu Tuma Jr., a proposta será debatida na próxima reunião da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (Enccla), no fim do mês. "São áreas onde o controle e a fiscalização são difíceis", diz. Tuma Jr. afirma que a idéia é formar forças-tarefa com a participação de integrantes do Ministério Público, do Judiciário, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU). "Queremos estabelecer um trabalho integrado. Trabalharíamos para identificar quais são e onde estão os problemas, o que é necessário para fiscalizar melhor esses setores", explica. Em discussões internas, os três temas foram bem acolhidos por outros integrantes da Enccla, composta por 39 dirigentes de entidades ligadas ao combate à corrupção e à lavagem de dinheiro. A ampliação do controle sobre as ONGs figurava em quatro das 33 metas estabelecidas para 2007. "Não há controle algum na aplicação desses recursos", diz a procuradora Raquel Branquinho.DESGATEAs áreas escolhidas já renderam desgaste ao próprio governo. No ano passado, descobriu-se que, entre 2004 e 2006, boa parte dos recursos destinados ao programa Primeiro Emprego havia sido repassada para entidades sem fins lucrativos dirigidas por petistas ou simpatizantes. A origem do R$ 1,7 milhão encontrado com petistas no ano passado pouco antes da eleição - no episódio que ficou conhecido com escândalo do dossiê Vedoin - é alvo de investigações até hoje. Campanhas eleitorais voltarão à ordem do dia em 2008, com as disputas para prefeituras e Câmaras de Vereadores. Segundo Tuma Jr., a definição de grandes temas faz parte de uma mudança na rotina da Enccla: "O objetivo é dar mais eficiência ao combate à lavagem."

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