Ongs pedem investigação da morte de xucurus em PE

As designações de um delegado especial e de um procurador da República especial para apurar e acompanhar as investigações relativas aos assassinatos de dois índios xucurus e o atentado contra o cacique Marcos Luidson de Araújo, ocorridos na última sexta-feira em Pesqueira, no agreste pernambucano, foram reinvidicadas por de cerca de 30 organizações não-governamentais. Em nota entregue ao superintendente regional da Polícia Federal, Wilson Damázio, e encaminhada ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, as entidades ? a maioria ligada aa terra e aos direitos humanos ? alegam que falta efetiva vontade política e capacidade operacional da PF em Pernambuco para oferecer garantias de vida ao cacique Marcos e à comunidade xucuru. ?A PF-PE tem se mostrado ineficaz, contraditória e parcial na condução das investigações e dos inquéritos anteriormente ocorridos?, afirma a nota, referindo-se a mortes anteriores de lideranças xucurus na luta pela terra, a exemplo do cacique Francisco de Assis Araújo, o Chicão, pai de Marcos, assassinado em 1998, e do guerreiro Francisco Santana, o Chico Quelé, morto em 2001. Quanto ao Ministério Público Federal, as ongs afirmam que o órgão tem demonstrado ?crescente dificuldade? em conciliar as atribuições de preservar os direitos e interesses indígenas com a titularidade das ações penais. De acordo com a nota, o MPF tenta incriminar lideranças indígenas no caso de Chico Quelé, ?deixando de sanear as evidentes falhas das investigações policiais durante o inquérito e abrindo mão de buscar uma elucidação mais eficiente da autoria do crime?. As entidades também exigem providencias urgentes para garantir o território dos 9 mil xucurus de Pesqueira, que embora já esteja demarcado e homologado, tem 70% de sua área total ocupada por fazendeiros. Damázio ofereceu a abertura de um posto da Polícia Federal na terra xucuru, mas o cacique Marcos não aceitou. Ele disse que precisaria ouvir primeiro as 23 aldeias da comunidade. Marcos vai denunciar os crimes contra ele e seu povo em Washingotn, numa audiência com representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), no dia 26. O encontro estava marcado antes do atentado. A OEA havia recomendado ao governo brasileiro, em outubro, a segurança de Marcos e sua mãe Zenilda, que vinham sofrendo ameaças de morte desde a morte de Chicão. Entre os que assinam a nota estão Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH), Associação Brasileira de Organizações Não-governamentais (Abong), Comissão Pastoral da Terra, Movimento dos Sem-Terra (MST), Central Única de Trabalhadores (CUT) e Comissão dos Direitos Humanos da OAB.

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