ONGs lançam campanha nacional para proteção da Mata Atlântica

Uma rede de 190 organizações não-governamentais (ONGs) lançou hoje, em 17 Estados das regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste, a campanha nacional "Faça a Lei com as próprias mãos" para pressionar o Congresso a aprovar um projeto de lei de 1992, que disciplina o uso e a proteção da Mata Atlântica no Brasil. Hoje foi o Dia da Mata Atlântica.As ONGs esperam obter 1 milhão de assinaturas, até setembro, e com isso tentam conseguir pressão popular suficiente para neutralizar a bancada ruralista na Câmara dos Deputados, principal grupo de oposição ao projeto.De autoria do ex-deputado federal Fábio Feldmann (PSDB-SP), o projeto de lei 285/99 regulamenta o artigo 225 da Constituição Federal. Ela classifica a Mata Atlântica como patrimônio nacional e prevê a elaboração de uma lei que defina o que é a mata e como usá-la. Pelo projeto, o que resta da mata (7% no País) tem de ser preservado e pode ser explorado, desde que seja garantida a sua renovação.Na cidade de São Paulo, o primeiro dia da campanha contabilizou 3 mil assinaturas, segundo balanço da Fundação SOS Mata Atlântica. O ato de lançamento da campanha ocorreu às 11 horas, na Praça da Paz, no Parque Ibirapuera, zona sul. No início, começou a chover e as atividades continuaram sob a marquise do parque. Segundo a SOS Mata Atlântica, o ato atraiu cerca de três mil pessoas.Mata - Da Mata Atlântica se extrai palmito, madeira, frutas e plantas ornamentais. Na maioria dos casos, segundo as ONGs, a ação é predatória, não dando chance para a renovação do produto extraído. São poucas as ações, de proprietários rurais ou empresas, que exploram a mata com planos de manejo aprovados pelas secretarias de Estado do Meio Ambiente e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).Feldmann, que esteve hoje no Ibirapuera, culpou a bancada ruralista, principalmente do PFL de Santa Catarina, pela demora na aprovação do seu projeto, que originalmente tinha o número 3285/92. Segundo ele, o governo também foi "complacente" com a bancada ruralista. Na sua análise, o problema é que o projeto atinge interesses imobiliários defendidos pelos deputados em Santa Catarina.O diretor da SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, disse que existem ruralistas de outros Estados e partidos, além do PFL, que também são contra o projeto. Na sua análise, a atual crise energética é um fator que deve fortalecer a campanha porque a preservação das matas é uma necessidade para garantir água.

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