ONG revela deputados de SP que mais faltaram em votações

O ano na Assembléia Legislativa de São Paulo nem começou e alguns deputados estaduais já tomarão posse estigmatizados. Um levantamento feito pela ONG Movimento Voto Consciente revela que pelo menos 12 dos 94 deputados do mandato que se encerrou tiveram menos de 50% de presença nas 77 votações nominais.As votações nominais tratam normalmente de projetos importantes do governo do Estado e são aquelas em que há registro dos votos no painel eletrônico do plenário. A ONG fez o levantamento durante a legislatura que se encerrou na última quarta-feira, 14. Nesta quinta-feira, 15, assumem os novos parlamentares.Os campeões de ausência entre os reeleitos, com menos de 40% de freqüência, são os deputados Aldo Demarchi (PFL), Vicente Cândido (PT), Roberto Engler (PSDB) e Roque Barbieri (PSDB). Procurados pela reportagem do Portal Estadão, apenas dois deputados justificaram o não comparecimento. Roberto Engler (PSDB), presente em 31 das 77 votações, disse que, mesmo não estando presente no plenário, acompanha as discussões por um sistema de som interno da Assembléia.Segundo ele, a presença dos deputados não é necessária em todas as votações. "O colégio de líderes de cada partido decide qual o posicionamento da bancada e quais as votações que necessitam da presença maciça dos deputados", revela Engler. Ele diz ser contra esse tipo de sistema porque não aprofunda as discussões dos projetos, mas não revelou como tenta combater o mecanismo vigente.Vicente Cândido (PT) preferiu contestar os números da ONG por meio de sua assessoria. De acordo com o Voto Consciente, ele compareceu a apenas 39% das votações, mas "tem certeza que teve freqüência superior". Questionados, os assessores não souberem precisar o número de vezes que o deputado participou das votações. Em vez disso, minimizou o peso dos projetos e informou que muitas vezes as idéias postas em votação são de menor importância e de interesse apenas do Executivo. Aldo Demarchi (PFL) e Roque Barbieri (PSDB) também foram procurados, mas não se pronunciaram. ComissõesO levantamento da ONG revela ainda que, das 23 comissões permanentes criadas durante a 15ª legislatura (2003-2007), sete delas não apresentaram resultados relevantes desde 2005, quando tiveram a última ata de discussões aprovada. Cada comissão é composta de sete a nove deputados, que são indicados pelos partidos, de acordo com a proporcionalidade da bancada. Essas comissões deveriam se reunir uma vez por semana e a presença do parlamentar é fundamental para medir a eficiência do seu trabalho na Casa. As comissões mais ineficientes do mandato que se encerra são: de Assuntos Metropolitanos, de Assuntos Municipais - que trata dos Direitos do Consumidor - de Economia e Planejamento, Esporte e Turismo, Legislação Participativa e Promoção Social. Segundo a cientista política e coordenadora geral da ONG, Rosângela Torrezan Giembinsky, "muitas comissões são criadas na Assembléia e os horários invariavelmente se sobrepõe, o que impede que o parlamentar dê atenção a elas", afirma. A responsável pela mensuração dos dados ainda revela que alguns parlamentares sequer compareceram às audiências públicas itinerantes de orçamento que aconteceram nos bairros que os elegeram. "Essa é a resposta que eles dão para o voto que receberam como nossos representantes", lamenta Giembinsky. "Por que são comissões permanentes se não existem assuntos permanentes para discussão?", completa.Votações paradasAo contrário dos outros Estados e do Distrito Federal, os 94 deputados eleitos no pleito de outubro só tomam posse nesta quinta-feira, às 15 horas. Deste número, 49 foram reeleitos e 45 assumem o cargo pela primeira vez. A maior conseqüência do retardatário ano legislativo na assembléia paulista são as edições de decretos. Sem a posse dos novos deputados, o governador José Serra já editou 152 decretos desde o início do mandato. A maioria foi contestada pelos partidos de oposição. Apenas um projeto de lei foi enviado até agora à Assembléia Legislativa pelo governo tucano, justamente o que altera as regras para licitações. A ONG Voto Consciente não endossa a atitude do governador e também não isenta a Assembléia, que ainda não tem nova legislatura. Para Rosângela Giembinsky, "os novos deputados entram com o desafio de mudar essa situação". "Queremos acreditar na melhoria da política, esperamos que os novos deputados sejam melhores que os atuais e acabem com o problema", completa ela.RankingCampeões de faltas nas votações nominais (15°Legislatura):1. Mauro Menuchi (PSB) - apenas 23% presença (18 votações);2. Zuza Abdul Massih (PRP) - 26% presença (20 votações);3. Roberto Alves (PTB) - 35% presença (27 votações);4. Aldo Demarchi (PFL) - 35% presença (27 votações) reeleito;5. Marquinho Tortorelo (PPS) - 36% presença (28 votações);6. Vicente Cândido (PT) - 39% presença (30 votações) reeleito;7. Maria Almeida (PRB) - 36% presença (28 votações);8. Roberto Engler (PSDB) - 40% presença (31 votações) reeleito;9. Havanir Nimitz (PSDB) - 40% presença (31 votações);10. Arnaldo Jardim (PPS) - 40% presença (31 votações) - eleito deputado federal;11. Italo Cardoso (PT) - 41% presença (32 votações);12. Roque Barbieri (PSDB) - 42% presença (33 votações) - reeleito.

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