ONG pede desbloqueio de praias ou fim de férias de Lula

O presidente da ONG Educa São Paulo, Devanir Amâncio, encaminhou nesta quinta-feira uma representação no Ministério Público de São Paulo contra o aparato de segurança montado em algumas praias do Guarujá para garantir as férias de dez dias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Amâncio, a presença do presidente da República no Guarujá fez com que a Marinha bloqueasse vários dos acessos dos pescadores e estaria prejudicando suas atividades. "Pedi que o Ministério Público tomasse providências para acabar com o transtorno contra esses pescadores, que vivem disso e estão sendo prejudicados. E se preciso, para cancelar as férias do presidente", disse Amâncio. Ele disse ainda ter vindo até a praia colher assinaturas dos pescadores. "Fiquei decepcionado, eles ficaram com medo de represália e ninguém quis assinar", relatou. O presidente da ONG disse ter pedido também o ressarcimento aos pescadores, mas não soube estimar o prejuízo causado a eles nos últimos dias em função do bloqueio a algumas ilhas e parte de algumas praias em nome da segurança presidencial. Pescadores de uma das praias afetadas, a Guaiuba, confirmaram o aumento das restrições da Marinha contra eles nos últimos dias e que isso teria afetado diretamente suas atividades, mas desconheciam qualquer abaixo assinado ou ação contra isso. "Não adianta a gente brigar por uma coisa se isso vai nos prejudicar ainda mais lá na frente. E isso acaba logo, vale mais a pena esperar", opinou Carlos Alberto da Silva, pescador de mariscos de 41 anos, natural do Guarujá. O pescador disse que dos habituais 10 minutos, passou a ter de remar mais de uma hora para conseguir os mariscos. O problema, segundo ele, é que além de mais distante, a ilha liberada pela Marinha não é tão farta quanto a que costuma frequentar e sua produção caiu de 40 quilos para 10 quilos por dia. Questionado sobre o que o presidente poderia fazer por ele para recompensar os dias de perda, disse que "bastaria nos deixar trabalhar". "Ele tem todo o direito de tirar o descanso dele, desde que não prejudique os outros", concluiu Silva. O pescador Aureo Leite Santana, de 49 anos, que também reclamou das restrições, ponderou que Lula não deveria ser apontado como culpado. "Isso é determinação do comandante da Marinha, ou você acha que o presidente vai se preocupar com isso?", questionou. Diligências O promotor Roberto Pimentel, da Coordenação das Promotorias de Urbanismo e do Meio Ambiente, confirmou ter recebido representantes da ONG Educa São Paulo. Pimentel retransmitiu a denúncia de Amâncio ao Ministério Público no Guarujá, que deverá tomar as providências. A promotoria poderá realizar algumas diligências para verificar o que realmente está ocorrendo. Segundo o MP, o enfoque da eventual apuração é verificar a "questão da circulação das pessoas". O MP quer saber se está havendo bloqueio de acesso a bem público, no caso as praias. O presidente da ONG disse ter encaminhado a representação por "uma questão de cidadania" e por entender que as restrições afetam parcela da população extremamente pobre, e não se preocupar por tomar a iniciativa no final do período de folga do presidente, prevista para se encerrar no domingo. "Mesmo se fosse um pescador valeria a pena, mesmo se fosse o último dia valeria a pena, porque é uma questão de cidadania", justificou. "E que pelo menos nas próximas férias o presidente se prepare melhor e não atrapalhe a vida dos trabalhadores, que isso não aconteça mais." Nepotismo Germano Inácio da Silva conseguiu no final da noite de quarta-feira o almejado encontro com o irmão ilustre. Germano tentou falar com Lula na sexta-feira e no domingo e voltou para sua casa com a promessa de que o presidente o mandaria buscar quando pudesse. Na quarta-feira, postou-se diante do forte por quase oito horas, e após dizer que era uma falta de consideração o deixar ali esperando com o filho de dez anos, foi chamado para uma conversa de meia hora com Lula. Germano disse que reclamou com o irmão a espera, mas que compreendeu que o presidente estava cansado e precisava da folga. "Ele queria descansar, e eu, como queria conversar com ele, não poderia passar por cima das ordens dele, tinha que esperar um pouco, tinha que ter paciência. Ele ia mandar me buscar, mas não deu. E a oportunidade era essa", prosseguiu Germano. Ele disse ter aprendido ainda outra lição no encontro. Foi pedir um emprego ao irmão, mas não foi atendido. "Ele me explicou, ´isso aí não pode fazer, isso é nepotismo, tem que ser mediante concurso público´. Então vou me inscrever, vou batalhar para eu mesmo conseguir isso aí." Segundo Germano, seu filho Nathan contou ao tio ilustre que faria 11 anos em dois dias e pediu um abraço e os parabéns. "Graças a Deus ele atendeu, deu um abraço de parabéns, mas de presente não falou nada", relatou Germano. Colaborou Rejane Lima

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